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As brasas da transparência a norte

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O

 nosso Presidente JC (“O Transparente”) exige rigor. Exige documentos, pareceres, recibos e respeito pela lei. Um verdadeiro radical. Porque, para certas figuras, pedir que uma construção esteja legalizada na Achada do Loural, ou que um restaurante cumpra regras de higiene já é praticamente uma declaração de guerra.

À frente da oposição ao bom senso do eu presidente surge RS (“O Brasas Vivas”), autoproclamado Superior Máximo do Concelho, Imperador do Cascalho e Conde das Licenças e Negócios Improváveis. Um homem tão importante, na Assembleia, que as regras, quando o veem chegar, desviam-se educadamente para a berma.

(“O Brasas Vivas”) domina todas as áreas, política, restauração criativa, produtos, imobiliário imaginativo, construção espontânea e gestão laboral (de 18 anos tenrinhos venezuelanos) baseada no inovador princípio de que um contrato é apenas “um papel que limita a liberdade empresarial”. Nos seus estabelecimentos, as cucarachas crescem com entusiasmo, a higiene é uma questão filosófica e as obrigações fiscais parecem morar num país distante.

Também no património Brasas é um visionário. Onde uma pessoa vê um terreno sem viabilidade, ele vê uma oportunidade. Onde a CMSV vê uma obra sem licença, ele vê uma mansão com personalidade. E onde aparecem dívidas, RS vê perseguição política, porque pagar o que se deve é, aparentemente, uma cedência intolerável ao sistema. Mas afinal de onde vem o património?

A acompanhá-lo está Lascado (“O Guedelhudo”), especialista em aparecer como proprietário. Juntos formam uma dupla empresarial admirável: um dá a cara, o outro dá as ordens e a licença municipal, por coincidência, é sempre chamada a dar uma ajudinha – e lá se foi o Lello com o nosso molho “Ambulância”, e “Arrebenta Cus”.

Quando um triste comerciante consegue a sua humilde banca de hambúrgueres, eis que surge o milagre da livre concorrência, primeiro tiram-lhe a licença, depois compram-lhe o negócio e, por fim, explicam-lhe que tudo aconteceu de forma perfeitamente normal. Normalíssima. E muito macarrão tem sido faturado pelo testa de ferro Lascado (“O Guedelhudo”).

Entretanto, o Presidente (“O Transparente”) é pressionado a aprovar projetos, facilitar licenças e fechar os olhos às construções que parecem brotar do cascalho durante a noite. Não abra este a "bouca" pelo material de 18 anos tenrinho...

É realmente lamentável.

Porque RS (“O Brasas Vivas”) não compactua com negociatas. Ele apenas aprecia negócios com produtos que avancem depressa, como os vários carros de rally Brasas Vivas, sem perguntas desagradáveis e, de preferência, sem deixar demasiado papel pelo caminho. Sem faturas, Sem Registo, Sem Rasto...

“O Transparente” não merece que sujem o seu nome com manobras feitas nas suas costas. Muito menos com birras de ATLs.

Em Vila das Cinzas (aka São Vicente), as brasas podem arder muito. Mas, quando se acende a luz, com mais ou menos Vinagre, até o fumo começa a ter de dar explicações e a prestar contas.

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