Vimos o Mundial de Ralis chegar às Canárias, em 2030 vem o Mundial e também garantiram um estádio. Afinal os prémios pouco contam e mostram a realidade das coisas. A exclusão da Madeira da rota do Mundial de 2030 é natural, enquanto as Canárias asseguram o Estádio Gran Canaria como sede, é o choque de realidade que separa as ambições políticas da dureza dos cadernos de encargos.
Apesar da Madeira ter historicamente investido milhões em infraestruturas desportivas regionais e campos de treino, a verdade é que o foco estratégico e os complexos desportivos dispersos nunca foram direcionados para o patamar de exigência máxima do futebol global. Faltou uma visão de longo prazo centralizada no futebol de alta competição que pudesse colocar a ilha na corrida pelo maior palco do mundo.
A razão técnica para este desfecho prende-se rigorosamente com as condições mínimas impostas pela FIFA. A federação internacional exige uma lotação mínima de 40.000 lugares sentados para acolher os jogos da fase de grupos e das eliminatórias iniciais. Na Região Autónoma, nenhum estádio se aproxima sequer deste requisito, o Estádio do Marítimo (Barreiros) ronda os 10.600 lugares e o Estádio da Madeira (Choupana) fica-se pelos cerca de 5.200 assentos. Eu percebo a realidade dos clubes, mas ninguém pensou um estádio para ser facilmente adaptado a crescer para eventos maiores. Até pode ser uma missa de um Papa. Um Multifuncional a partir de um estádio modular.
Para cumprir as normas, a ilha teria de construir um estádio totalmente novo ou quadruplicar o tamanho de um recinto existente, um investimento financeiro e logístico incomportável e desproporcional para a realidade pós-evento. Mas aqui entra o investimento do Golfe, o dinheiro que se está a gastar com eles, algum traria o retorno de um Mundial em publicidade?
Por outro lado, as Canárias souberam capitalizar o ponto de partida do seu principal recinto na Gran Canaria, que já contava com mais de 32.000 lugares e cuja ampliação planeada para os 44.500 assentos o tornou perfeitamente elegível para os critérios internacionais. A nível nacional, Portugal concentrou, desde o início, toda a sua candidatura nos únicos três palcos que cumprem as metas com ligeiras adaptações: o Estádio da Luz, o Estádio José Alvalade e o Estádio do Dragão. São os que sempre contaram, a Madeira banhada de prémios derrotada por quem não os têm. Falo assim porque fartam-se de colocar em bicos de pés e afinal valem pouco na hora da verdade. Sem a capacidade de albergar as multidões exigidas pela FIFA, a Madeira ficou relegada ao silêncio das decisões técnicas, restando-lhe a hipótese de tentar atrair alguma seleção para estágios de preparação e base de treino na sua rede de hotéis e campos secundários. Mas, com esta inoperacionalidade que não se sabe como ataca nem termos um plano B, o Plano de Contingência.
Bem vindos à Terra! Contentem-se com meio milhão para o rali da prata da casa e reformados.
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