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A sintonizar estações...

Quem entregou o nosso aeroporto à VINCI foi a falência da Madeira.

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Aeroporto, ilusão, recordes, ameaça e apagão...  em 2027?

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iz o povo na nossa terra que "quem muito abarca, pouco aperta". Olhando para os discursos oficiais sobre o Aeroporto Internacional da Madeira, a sensação de vertigem é total. De um lado, a ANA / VINCI Airports bate no peito com o orgulho típico das multinacionais, exibindo a marca histórica de 5 milhões de passageiros e anunciando investimentos em expansões de infraestruturas de combustível até 2029. No papel e nos gráficos de PowerPoint, a Madeira voa alto. Mas quem vive e depende da realidade desta ilha sabe que, na pista de Santa Cruz, o vento sopra de outra forma.

O aviso sério deixado recentemente por António Trindade e Miguel de Sousa no Debate da Semana da TSF-Madeira é um murro no estômago para a nossa letargia política. Confrontar os recordes estatísticos com a fragilidade operacional das companhias aéreas, com os custos brutais provocados pelos constantes cancelamentos e desvios é o exercício de responsabilidade de que a Região precisa desesperadamente.

Quando o vento forte condiciona a pista, a narrativa de sucesso da operadora aeroportuária desaba. Como bem alertou o hoteleiro António Trindade, os custos dos desvios e das inoperacionalidades são insustentáveis e estão inteiramente assentes nas costas dos transportadores e dos operadores.

Uma única unidade hoteleira chegou a perder 100 mil euros de faturação em apenas três dias devido ao cancelamento de voos. Multiplicando isto por toda a economia regional, o impacto é devastador.

Os transportadores aéreos não recebem compensações pelas intempéries, mas são obrigados a pagar as taxas de aeroportos alternativos (as divertidas para Porto Santo, Canárias ou Lisboa), a arcar com toneladas de combustível extra e a gerir o efeito de arrastamento que desorganiza as tripulações nas operações seguintes do dia.

O resultado prático está à vista, vários operadores e companhias aéreas já estão a ponderar suspender rotas e operações destinadas à Madeira em 2027. Meus amigos quem leu isto no Madeira Opina? Muitas vezes, a base de muitas críticas justas do nosso Eduardinho. As companhias voam para onde têm lucro e previsibilidade, se o risco Madeira se torna demasiado caro, elas simplesmente mudam as rotas para destinos concorrentes.

A ilação política mais mordaz e certeira veio de Miguel de Sousa: "O aeroporto era nosso... e perdemos o controlo". A privatização e concessão da ANA à VINCI retirou à Região qualquer margem de soberania sobre a sua principal infraestrutura de conectividade.

Miguel não "chores", quem entregou o nosso aeroporto à VINCI foi a falência da Madeira. O PSD lixou tanto madeirenses, empresários e infraestruturas fundamentais. Não foi só no continente que venderam "os anéis", a Madeira na sua falência também teve que realizar dinheiro, o aeroporto foi um deles. É preciso reclamar, abordar mas por a mão na consciência!

Os gestores franceses operam com a lógica fria dos números. Fazer investimentos de fundo para mitigar a inoperacionalidade do aeroporto dentro do período restante da concessão? Esqueçam. Eles entendem que já não vão recuperar esse capital a tempo. O negócio deles é espremer as taxas ao máximo, tanto que até as propostas partidárias para a redução de taxas aeroportuárias esbarram no muro de Berlim das concessões privadas.

O "lobby" do turismo regional, por mais poderoso que pareça na teoria, falha clamorosamente na prática. Há uma gritante falta de liderança e de uma vontade capaz de sentar à mesma mesa o Governo Regional, os hoteleiros, os agentes de viagens, as companhias aéreas e a ANA para exigir soluções alternativas robustas.

Vender o sucesso dos "5 milhões de passageiros" é fácil, mas governar e salvaguardar o futuro da Madeira exige encarar as vulnerabilidades de frente. Se as companhias aéreas começarem a bater em retirada a partir do próximo ano, devido ao peso financeiro da inoperacionalidade, os hotéis de luxo e as obras públicas planeadas servirão apenas para alimentar o deserto.

A Região precisa de acordar do deslumbramento das estatísticas. É urgente criar uma frente concertada de stakeholders. Enquanto a Madeira continuar a fingir que os problemas estruturais do seu aeroporto se resolvem sozinhos, continuaremos à mercê do vento e do desinteresse de quem nos gere a partir de Paris.

Miguel da quinta... desvaloriza!

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