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Os candidatos não faltavam. Havia a corrente forte do chapéu vermelho-alaranjado com óculos espelhados, que surgia em todas as fotografias com um sorriso de quem parecia já ter vencido qualquer eleição que ninguém convocou. Havia a ala do “preto elegante”, um pequeno bloco de senhoras que parecia ter combinado o figurino horas antes, formando quase uma delegação oficial apenas pela coordenação do guarda-roupa. E não faltava a discreta candidata do colar comprido, sempre presente, sempre sorridente, mas sem necessidade de protagonismos excessivos. Diziam as más-línguas do balcão que tinha apoios silenciosos, desses que nunca aparecem nas atas, mas que toda a gente conhece.
À medida que o arraial avançava, também avançavam as teorias. Uns juravam que existia uma votação secreta. Outros garantiam que a escolha dependia apenas do número de fotografias publicadas nas redes sociais. Houve até quem defendesse que o verdadeiro critério era simples: quem aparecesse em mais inaugurações, mais romarias e mais festas populares conquistava automaticamente o estatuto.
Mas foi então que surgiu a verdadeira dúvida da noite.
Afinal, quantas primeiras-damas existem na Madeira?
Pelas conversas que circulavam entre uma poncha e outra, parecia haver já uma primeira-dama do Governo Regional. Havia também quem identificasse uma primeira-dama do urbanismo da Câmara Municipal. Tudo muito organizado, tudo muito informal, tudo muito comentado.
Só havia um pequeno problema.
Continuava por conhecer a primeira-dama do Presidente da Câmara.
Ninguém conseguiu esclarecer o mistério. Não houve comunicado, nem despacho, nem regulamento municipal, nem sequer uma nota explicativa para resolver tão delicada questão institucional. Ficou apenas a sensação de que esse lugar continua em aberto, talvez à espera de melhores dias… ou de melhores fotografias.
Entretanto, o arraial prosseguiu normalmente. As espetadas desapareceram, a poncha fez o seu trabalho, as conversas multiplicaram-se e as objetivas continuaram a disparar. Afinal, na política moderna, há quem conte votos, mas também há quem conte presenças em fotografias.
No final, a única conclusão possível foi esta: na Madeira, os cargos oficiais vêm publicados no Jornal Oficial da Região. Já os cargos oficiosos nascem muito mais depressa — normalmente entre um flash, um sorriso e uma publicação nas redes sociais.
E talvez seja essa a maior novidade dos tempos modernos: antes de se saber quem manda, já toda a gente discute quem é a primeira-dama. Só continua por resolver um pequeno detalhe… descobrir quem é, afinal, a primeira-dama do Presidente da Câmara. Até lá, o título permanece vago, embora candidatos — ou candidatas —, pelos vistos, nunca faltem.
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