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Tempos Mortos

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arece que estamos em tempos mortos, politicamente inúteis, à distância de 3 anos de Regionais e Autárquicas, mas não estamos. Este é um tempo essencial, que depois falta em vésperas de eleições para a oposição, mas ela não entende isto. Este tempo, em suaves prestações é o tempo de passar ideias base para angariar confiança, longe do ruído, das mentiras e ouvidos trancados das vésperas de eleições. Mas sobretudo, de angariar pessoas e fixá-las pelo tempo e não pelo oportunismo aflito.

A esta distância todos são heróis na oposição, permitem que algum eleitorado mais racional os observe em estado natural e os rejeite.

Quem não dorme são os satélites que se seguem do PSD, normalmente vadios e dados a atalhos para viver bem, facilmente detetáveis pela cobertura do jornalismo do PSD. Esses sim sabem que tempo é este e colocam-se populares para o PSD repetir toda a estratégia de novo com sucesso, caso precise. Neste tempo que a oposição despreza, o PSD prepara a sua opção A, B, C e D. 4 variantes para não perder o poder. O D é uma verdadeira bomba atómica. O PSD em todas estas eleições recentes nunca passou da necessidade do B, porque a oposição no todo e por cada partido não leem o jogo e porque não se entendem. O PSD nunca passou da opção B até dentro das suas hostes, bem vimos como um acérrimo defensor por outro caminho se desfez com um apoio final nas últimas Regionais. O segredo é parecer idóneo porque vale a pena perder o estatuto com as armas e propostas que o PSD apresenta.

Para além disso, porque temos um povo imensamente interesseiro e falso, que facilmente se vende, o PSD tem o antídoto da fidelização porque sabe como comprar e prender com um interesse pessoal. A oposição que dorme nestes tempos mortos, também não percebe que tem muito mais para preparar do que o oleado PSD do poder.

A oposição não lê o jogo e não ouve avisos, acha que nesta amalgama todos são-lhes inferiores nas leituras, desconhecendo que os melhores elementos estão de parte porque postos de parte pela sua categoria, é assim que nasce a mediocridade que vivemos e a falta de exemplo. A oposição porque nunca venceu não entende uma linguagem pragmática de vitória, uma que existe com origem na escola do PSD e que anda desavinda.

Vivemos ciclos e desilusão com a oposição, sempre com gente diferente dos dois lados mas a mesma postura, gente que acaba por se convencer que é perda de tempo fazer entender alguma coisa na oposição, que pensa de forma diferente, indiferente, convencida e que com pouco fica aburguesada, até porque a derrota não lhes atinge a algibeira.

Parece que vivemos uma outra camada sobre a camada dominante do PSD, uma oposição que aceita a primeira porque no fundo lhe basta o lugar da oposição como forma de ganhar a vida, porque no fundo não quer a governação, simplesmente o resultado que garante lugares para bons vencimentos nesta sociedade do modelo de empobrecimento.

Olhamos à volta e tudo é marasmo, como o PSD deseja, ele próprio produz confusões e é a solução, tal como ele é o corrupto e o idóneo. O PSD reinventa-se nos exageros e quase brinca com a derrota para ter algum desafio interessante porque a oposição não conta.

Se a população anda entretida, a oposição não anda menos, basta-lhes a vaidade de estar na comunicação social que os derrota para marcar o ponto, acham que a mini-presença é suficiente desconhecendo a imensidão do caminho a percorrer. Há eventos que os deixa entretidos com assuntos de somenos, enquanto as traves mestras do discurso de oposição que toca no eleitorado passam incólumes. A oposição não tem comunicação própria ou não sabe tê-la, não sabe se abrir e lucrar porque todos têm medo de perder o lugar, vive marcando o ponto em expediente mínimo.

Neste tempo perdido da oposição, o PSD apresenta suaves derrotas, silenciamento, censura e entretenimento todos os dias e todos, os sofredores deste modelo e a oposição nem sentem.

Quem tem juízo, mas não fortuna, já percebeu que deve partir e não consumir tempo nesta peça de teatro, carregadinha de viciação no entretenimento e no zapping rápido, que não entende a profundidade das coisas. Quanto mais alheados do domínio da realidade, mais fáceis são guiados os carneirinhos eleitores e oposição.

Parabéns aos satélites, o PSD não inova, mas eles sim sabem como alcançar o seu sucesso. Valem mais do que partidos na hora da verdade.

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