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Pequeno recado aos presidentes das associações desportivas da Madeira

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Caríssimos Senhores,

E

sta noite, enquanto fazia um zapping de canais à procura de qualquer programa que me entretivesse enquanto jantava, deparei-me com os queixumes do costume de alguns presidentes de associações desportivas: "que ah e tal, não sei quê, não sei que mais, blá, blá, blá... queremos mais dinheiro para o orçamento anual dos nossos clubes".

Vamos lá a ver uma coisa: vocês têm instalações feitas pelo Governo Regional; o Governo Regional participa com um orçamento anual para os vossos clubes; possivelmente, algumas autarquias também dão uma pequena ajuda. Mas vocês o que querem é ver todas as despesas dos vossos clubes pagas com o dinheiro dos impostos dos madeirenses, é isso?

Meus senhores, sobre aquilo de que se queixam, as deslocações ao continente, também as equipas continentais se queixam quando têm de se deslocar à Região Autónoma da Madeira. No entanto, eles vivem mais desafogados de despesas. Sabem porquê? Porque eles, lá no "quadrado", não são tão subsídio-dependentes como vocês, que parecem bebés chorões à espera de um subsídio como um bebé espera pelo biberão!

Eu já fiz parte de um clube associativo que nem sequer tinha orçamento do Governo. Tínhamos de correr atrás de patrocínios particulares para os equipamentos. Mas agora vem a parte em que puxámos pela cabeça: para comprar as chuteiras para os atletas, começámos por organizar jantares na sede do clube, onde cabiam 70 a 90 pessoas, fazendo boas receitas por jantar. Depois, quando já estávamos mais desafogados e com a certeza de que conseguíamos pagar concertos de música a um artista da terra, organizámos bailaricos aos fins de semana, sempre com pessoal do clube em trabalho voluntário, com sandes de bifana e venda de bebidas. O contrato previa que a venda dos bilhetes revertia a favor do artista e todo o resto ficava para a organização. Todo o dinheiro arrecadado deu para comprar mais equipamentos, chuteiras e até uma "carripana" para levar os atletas para os jogos.

Entretanto, ouvi um desses presidentes dizer: "ah e tal, só fazemos um jogo por mês". Ok, mais uma oportunidade de crescer! Que tal organizar um torneio de futebol entre as várias associações, cobrar bilhetes a um preço simbólico para levar pessoas a ver os jogos, ou organizar um torneio de solteiros contra casados, com um preço que englobasse, no fim do jogo, um jantar para jogadores e familiares?

A partir de pequenos torneios, conseguimos levar o clube às distritais e, depois, às regionais, onde ainda se mantém, mas já com melhorias nas instalações, relvado sintético e acesso a carros, algo que não tinha. Hoje em dia, as festas da pequena vila são feitas no campo de futebol. Cabe também lembrar que a atual direção já tem dinheiro para, nas pausas dos campeonatos, contratar algumas bandas de renome nacional e continuar a amealhar verbas para apostar na formação de jovens e em outras modalidades. Mas tudo isto foi conquistado com ideias e sem a subsídio-dependência a que vocês, aqui na região, estão habituados — sempre à espera de subsídios até para ir à retrete dar uma bufa!

Reorganizem-se, pensem, tenham ideias e o sucesso vai chegar. Não fiquem à espera que a "vaca gorda" vos alimente para sempre!

Ah, já agora, esqueci-me de dizer: estes presidentes de clubes madeirenses mais parecem o Quim Barreiros com a famosa canção: "Eu gosto é de mamar nos peitos da cabritinha..."

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