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Genocídio, não dar condições para procriar.

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á uma notícia hoje no DN que fala do Inverno Demográfico, estamos abaixo do limiar de renovação. "Renovação", parece humor. O índice sintético de fecundidade na Madeira é de apenas 1,26, um valor que se encontra criticamente "abaixo do limiar de substituição geracional" (que idealmente deveria ser de 2,1 filhos por mulher).

A Madeira do maravilhoso PIB surge com a segunda idade mediana mais elevada entre todas as Regiões Ultraperiféricas (RUP) analisadas (44,2 anos), superando a média nacional portuguesa e a da União Europeia. Isto significa que a população residente está a envelhecer a um ritmo acelerado, sem haver bebés suficientes para inverter a pirâmide etária.

A falta de condições para os jovens procriarem e a consequente necessidade de emigrarem encontra eco nos indicadores de rendimento e mercado de trabalho publicados. Tanto que se escreve nas páginas do Madeira Opina e ninguém quer ouvir, é preciso uma inversão completa no modelo da Madeira, sair de hotelaria e obras que não fortalecem a classe média, antes extinguem. Um país pode se salvar com turismo, mas não se desenvolve!

O barómetro revela que a taxa de risco de pobreza na Madeira (após transferências sociais) situa-se nos 15,6%, um valor que é superior à média de Portugal (15,4%). Além disso, a taxa de pobreza antes das transferências sociais dispara para níveis que demonstram a fragilidade económica das famílias. O PIB do Albuquerque não chega aos madeirenses, fica com os amigos. A riqueza não é distribuída, concentra-se.

Mas estamos muito além da pobreza que não procria, estamos em privação material e de, pois claro, habitação. A peça do DN destaca a incapacidade de muitas famílias em manter a casa adequadamente aquecida (afetando 10,7% dos madeirenses) e as assimetrias na distribuição de rendimentos. Quando os salários não acompanham o custo de vida e o acesso à habitação se torna proibitivo, a fixação de jovens casais torna-se quase impossível, empurrando-os para a emigração. Ainda assim, um por menor, está a acabar o PRR e o GR absorveu-o todo, não houve acesso das famílias para melhorar as casas para enfrentar as alterações climáticas.

Embora a Madeira apresente taxas de emprego jovens aceitáveis no panorama das RUP, a percentagem de jovens que não trabalham nem estudam (NEET) e o diferencial de oportunidades em mercados externos continuam a ser um motor para que os jovens diplomados procurem o estrangeiro, onde os seus futuros filhos acabarão por perder o vínculo cultural e identitário direto com a Região.

Albuquerque, percebes porque te mandam a boca de "genocida"?

A população total não colapsou de forma mais drástica por causa do fluxo migratório, a transação de despachar formados madeirenses para a alegria de países desenvolvidos e recebe cidadão com fracas formações do estrangeiro. A Madeira é classificada neste barómetro como uma das "melhores na imigração", o que significa que o saldo migratório positivo (a entrada de cidadãos estrangeiros para trabalhar e de nómadas digitais/residentes estrangeiros) são o único balão de oxigénio que vai camuflando temporariamente a quebra abrupta de nascimentos locais. Mas eles ficarão? Não creio.

O barómetro deixa claro que a Madeira enfrenta um paradoxo económico estrutural. Ao mesmo tempo que apresenta índices de competitividade regional e turismo assinaláveis, falha em traduzir essa riqueza macroeconómica em condições de fixação demográfica para os seus nativos. A imigração mitiga a falta de mão de obra a curto prazo, mas não resolve a sustentabilidade social e familiar de uma população local que simplesmente deixou de conseguir planear ter filhos na sua própria terra.

O egoísmo mata!

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