Peço ao Madeira Opina a publicação do meu texto com o recorte do JM página 4 e 5 (20-6-2026).
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A ilação mais grave é a quebra do elevador social clássico. O facto de haver cidadãos empregados e integrados a recorrer a centros de acolhimento prova que ter um salário na Madeira já não é garantia de se conseguir pagar um teto, alterando o perfil tradicional do "sem-abrigo". Ainda me lembro de uma anormal que dizia que os sem abrigo eram sinónimo de bêbados. Mesmo que fosse era de saber a razão.
O Alojamento Local e o imobiliário de luxo, embora gerem riqueza económica global para a ilha, estão a asfixiar as classes baixas e os projetos sociais, gerando uma gritante desigualdade onde o lucro do turismo colide diretamente com o direito básico à habitação. É aquela história do PIB que o Albuquerque nos chapa na cara e que não tem interesse algum a não ser os mesmos que acumulam. Os que ganham tudo.
A admissão de que a expansão das respostas sociais só é possível graças às verbas extraordinárias do PRR demonstra a incapacidade financeira crónica das instituições locais (e do próprio orçamento regional) para resolver o problema estrutural da pobreza com recursos próprios e permanentes.
O aumento de mulheres na rua traz novos desafios logísticos e de segurança às associações, uma vez que estas utentes apresentam maior vulnerabilidade a situações de violência e necessitam de espaços de acolhimento segregados e especializados, algo que até agora escasseava.
Alguém percebe que os negócios todos para uns, o PIB dos ricos e as viagens às nossas custas é um padrão sem pudor que vive às custas da pobreza nesta região? Vejam se acordam. Estão a ficar sem a ilha, isto não é dramatizar, é o que se está a passar.
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