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A sintonizar estações...

Cadeia de erros por ganância política e financeira.

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Acompanho o Correio da Madeira/Madeira Opina há 8 anos, quando percebo a repetição de ideias, sei que vem a caminho algo. Se leem como eu, sabem que sai muitas bocas a russos a lavar dinheiro... Olham para barcos a mapear os cabos submarinos e acham que se ficam por aí...

A

 ideia de que Portugal está geograficamente protegido e longe dos palcos da "Guerra Fria" moderna é uma das maiores ilusões da nossa segurança nacional. Quando o SIS aponta o dedo à Rússia como uma séria ameaça à segurança interna, especialmente após operações e desmantelamentos de redes de espionagem em Itália, o que estamos a ver é apenas a ponta de um icebergue geopolítico que já tem raízes profundas.

Para percebermos onde estamos hoje, precisamos de definir como chegámos aqui. A espionagem russa em solo europeu não se faz apenas de ciberataques, faz-se de infiltração humana (HUMINT) e de operações de campo muito reais, onde a Itália tem funcionado, repetidamente, como o principal tabuleiro de xadrez europeu para estas trocas de informação.

A ameaça russa em Portugal não é ficção literária nem histeria recente. Tem marcos muito concretos que provam como o nosso país é vulnerável e altamente cobiçado por Moscovo.

Maio de 2016, Frederico Carvalhão Gil, um espião veterano do SIS português, é detido em flagrante delito num café em Roma pelas autoridades italianas e pela PJ. Estava a vender documentos altamente classificados do SIS e da NATO a Sergey Pozdnyakov, um agente do SVR russo (sucessor do KGB), a troco de dinheiro.

Fevereiro de 2018, o Tribunal Criminal de Lisboa condena o ex-espião português a uma pena de 7 anos e 4 meses de prisão por espionagem e corrupção. O caso obriga a NATO e as secretas portuguesas a reestruturarem toda a sua segurança interna, após a revelação de nomes de agentes e métodos operacionais aos russos.

Abril de 2026, os relatórios das secretas portuguesas identificam formalmente a Rússia (juntamente com a China, Irão e Coreia do Norte) como os atores mais perigosos no domínio das ameaças à segurança nacional, com foco especial em ciberespionagem híbrida.

Julho de 2026, o SIS emite um alerta de escala global em coordenação com aliados ocidentais. É exposta uma campanha da unidade APT28 (do GRU, a secreta militar russa) focada em comprometer routers e infraestruturas críticas de rede, provando que a ameaça russa se infiltra no dia a dia tecnológico dos cidadãos e das instituições nacionais.

Mas porque afinal Portugal interessa à Rússia? A nossa vulnerabilidade assenta em três fatores fundamentais que definem a situação atual.

A Rússia raramente espia Portugal pelo interesse exclusivo do nosso território nacional. O grande objetivo de Moscovo é usar o elo que consideram "mais fraco" para aceder a bases de dados partilhadas da NATO e da União Europeia. Um documento confidencial obtido em Lisboa ou através de um agente português tem o mesmo valor em Moscovo do que um obtido em Bruxelas ou Washington. Portugal é a "Porta das Traseiras" da NATO e da UE

Não é coincidência que o grande desmantelamento de redes de espionagem ocorra frequentemente em Itália. Historicamente, Roma tem sido um dos pontos de encontro preferidos para oficiais do SVR e do GRU devido ao fluxo diplomático e à facilidade de trânsito no espaço Schengen. Quando a Itália "limpa" estas redes, os estilhaços chegam imediatamente a Lisboa, pois muitos contactos cruzavam-se em território italiano.

Como as autoridades e analistas têm vindo a alertar, o ecossistema digital português continua bastante débil. O uso de práticas básicas de segurança e a forte dependência de fornecedores externos sem proteção efetiva tornam as nossas instituições públicas e empresas alvos fáceis para os ataques sofisticados de engenharia social e malware russos.  

A espionagem moderna já não se faz apenas com gabardinas e envelopes em cafés de Roma. Hoje, o perigo entra silenciosamente pelas nossas redes de Wi-Fi através de vulnerabilidades em routers e sistemas de segurança estatais. O alerta do SIS é um aviso claro de que o país tem de acordar para a necessidade urgente de investir em contraespionagem ativa e em segurança digital pesada.

Tudo isto tem um engodo clássico, dinheiro. É assim que se amolece gente que acaba por nos trair, mesmo que inconscientemente. Na Madeira existe gente que escancara a segurança interna por andar a vigiar pessoas com objetivos políticos internos. Isto também lhes soa? Mais do que os objetivos russos é preciso parar gente politicamente doente e gente incompetente para entender um mundo maior.

Por aqui me fico, está tudo explicado, ficam as conclusões a seu cargo. Há obcecados políticos a destruir a nossa segurança. Há gananciosos que cegam com a estratégia clássica... dinheiro. E nem mesmo o SESARAM foi aviso...

Tudo é possível e nada é verdade. Nietzsche.

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