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Mosca na sopa.

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e não podes com o teu "inimigo" trá-lo para a mesma lama. Por ação ou inação, mosca na sopa, o PSD-M consegue nivelar as bocas das narrativas. A situação que se desenha em Santa Cruz, com a constituição de arguidas e suspensão de funções de três funcionárias da autarquia por suspeitas de manipulação de concursos públicos, representa um ponto de viragem e um tremendo balão de oxigénio político para o PSD-Madeira.

Durante anos, o JPP (partido que governa a Câmara de Santa Cruz) fez da "luta contra o favorecimento", do combate ao clientelismo e da denúncia de processos judiciais o seu principal cavalo de batalha contra o regime do PSD na Madeira.

Ao surgir um caso grave de alegada manipulação de concursos públicos na sua própria "joia da coroa" autárquica, com acusações de crimes de abuso de poder, falsificação de documento e falsidade informática, o PSD consegue aplicar a máxima do "são todos iguais". Politicamente, a narrativa do JPP como bastião da pureza administrativa fica severamente beliscada.

Para o PSD, que tem vivido sob o espetáculo mediático de investigações e buscas judiciais nos seus próprios bastiões e executivos, esta notícia permite neutralizar o ataque moralista do seu principal rival no concelho. Sempre que o JPP tentar apontar o dedo à governação regional ou a suspeitas de corrupção do PSD, os social-democratas têm agora um argumento de retórica imediato: "vejam o que se passa na vossa própria casa em Santa Cruz."

A reação imediata da autarquia de Santa Cruz, manifestando "convicção de que não foi cometido qualquer ilícito" e agarrando-se à "presunção de inocência", é exatamente igual à postura que o PSD adota quando os seus dirigentes são visados pela justiça. Ao adotar esta postura defensiva padrão, o JPP valida (por ação e reação) o mesmo argumento que antes criticava nos seus opositores, nivelando o debate político por baixo e retirando força ética a futuras denúncias.

No xadrez político madeirense, este caso em Santa Cruz retira o "pedestal moral" ao maior rival do PSD no concelho. Ao arrastar o adversário para a mesma esfera das suspeitas judiciais e da engenharia de concursos públicos, o PSD consegue anular o monopólio da indignação e da integridade que o JPP reclamava para si.

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