
V
ais para a cama com o agente secreto, para a casa de banho, em todos os lados ele está presente, não lhe resistes e por vezes é um verdadeiro objecto sexual que te estremece nádegas ou mais à frente. Ele é ciumento, gosta tanto de ti e de todos os teus pormenores mais sádicos e secretos, vigia-te de noite e dia.
É muito mais do que o regime, os bufos e o uso das bases de dados de serviços públicos. Acontece muitas vezes estarmos a conviver e percebemos que ele te ouviu, aparecem publicidades como incríveis casualidades Algumas vezes tem o desplante de te avisar numa mensagem no ecrã para não tapares o microfone. Ele vigia-te e tu nada podes fazer, é o smartphone.
Essa sensação de que o telemóvel nos "lê o pensamento" é um dos temas mais quentes na opinião pública atual. somos vigiados por todos os lados, pelas facturas carregadas, pelo pagamento de multibanco, pelos dois factores de login, pelos registos de presença, passe, tudo...
Já te aconteceu falar sobre uma marca de café ou um destino de férias e, minutos depois, aparecer um anúncio exatamente sobre isso no teu Facebook ou Instagram? Muitos acreditam que o telemóvel está a ouvir tudo em segredo. Embora as empresas o neguem, a "vigilância" é real, mas muito mais sofisticada do que uma simples escuta.
As redes sociais não precisam necessariamente de te ouvir para saber o que queres. Elas usam Big Data. Se estiveste num convívio com amigos e o telemóvel de um deles pesquisou por "viagens à Grécia", o algoritmo sabe que vocês estiveram juntos (pelo GPS ou pela mesma rede Wi-Fi). Resultado, o anúncio aparece no teu telemóvel também, porque o sistema assume que vocês partilham interesses.
O teu GPS regista não só onde estás, mas quanto tempo passas em cada local. Se entras numa loja de eletrodomésticos, o teu telemóvel sabe. À noite, a publicidade de máquinas de lavar vai aparecer-te "magicamente".
O telemóvel às vezes avisa para "não tapar o microfone". Isto acontece porque os sensores de proximidade (que desligam o ecrã quando o encostas à orelha) detetam que algo está a obstruir o aparelho. No entanto, estes sensores também podem ser usados para perceber se o telemóvel está no bolso, na mão ou em cima da mesa, ajudando a traçar o teu perfil de comportamento.
Sempre que visitas um site, deixas uma "migalha". O Facebook e a Google têm códigos espalhados por quase toda a internet (Pixels) que informam as redes sociais exatamente sobre que produtos estiveste a ver, mesmo fora das aplicações deles. É muito mais do que ver um vídeo e te sugerirem cada vez mais vídeos com o mesmo tema.
As tuas fotos (mesmo as que não publicas, mas que estão na "nuvem") são analisadas por inteligência artificial. Se tens muitas fotos do teu cão, o sistema sabe que és um potencial cliente para rações e veterinários.
Somos Previsíveis. Na maioria das vezes, não é escuta direta, é previsibilidade estatística. O algoritmo conhece-te melhor do que tu próprio. Ele sabe o que vais querer comprar antes mesmo de tu o dizeres em voz alta.
Já estás assustado, isso foi quase nada e é interminável. Por isso muitas pessoas estão a usar telefones normais, tipo aqueles para idosos. Mas se o usas e não é idoso, do que foges?
Sempre que tiras uma foto, o telemóvel guarda ficheiros EXIF. Mesmo que não publiques a foto, o sistema sabe a hora exata, o modelo do aparelho e a coordenada GPS precisa de onde estavas. Se envias uma foto por uma app que não remove estes dados, estás a entregar o teu roteiro diário.
Mesmo com o GPS desligado, o teu telemóvel faz um "varrimento" constante das redes Wi-Fi e dispositivos Bluetooth ao teu redor. As empresas têm mapas mundiais de onde cada router Wi-Fi está localizado. Se o teu telemóvel deteta o Wi-Fi "Café Central", ele sabe que estás lá, com uma precisão de poucos metros. Ainda bem que não é terrorista, porque agora vive um louco na Casa Branca é capaz de acertar com um míssil de milhões no cu dum camelo.
E que tal o Giroscópio e o Acelerómetro? Estes sensores medem o movimento e a inclinação. Sabem se estás a correr, a andar ou parado. Se tens uma aplicação de Saúde, ela usa-os. Existem estudos que mostram que é possível identificar uma pessoa pela forma única como ela caminha (a cadência dos passos), criando uma "assinatura biométrica" de movimento. E tu que pensavas que era só reconhecimento facial.
Olha uma que parece inofensiva, o nível de bateria é frequentemente usado por apps de transporte (como a Uber) ou de compras. Alguns algoritmos podem aumentar os preços se detetarem que tens pouca bateria, pois sabem que estás desesperado para resolver o assunto antes que o telemóvel se desligue. Não é ficção científica.
Se utilizas teclados personalizados (que prometem emojis ou temas giros), tudo o que escreves, desde mensagens privadas a passwords ou intenções de compra, podem ser registadas e enviadas para servidores externos para análise de palavras-chave.
Alguns anúncios de TV ou colunas em centros comerciais emitem sons numa frequência tão alta que o ouvido humano não deteta, mas o microfone do teu telemóvel sim. Isto serve para as marcas saberem que estavas a ver determinado anúncio ou que entraste numa loja específica, cruzando o mundo físico com o digital.
Se calhar é melhor parar com isto, senão ainda vais à Worten comprar um telefone para idoso porque estão com 20% de desconto com mais 10% em cartão. Não estou a fazer publicidade, estou-te a provocar para perceberes que não te deves deixar controlar e manipular, a política regional é básica nesse aspecto e mesmo assim cais.
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:
Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.