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O Albuquerque está espojado na praia?

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O

continente está a braços com mau tempo extremo, populações em sofrimento, prejuízos graves e serviços de emergência sobrecarregados. E Miguel Albuquerque? Em silêncio absoluto. Nem uma palavra de solidariedade, nem um gesto, nem a mínima intenção de colaborar ou disponibilizar meios. Nada. Como se não fosse com ele. Como se não fosse Portugal. Eu sei que toda a narrativa é para fazer um paraíso isolado para bandidos do mundo, mas ainda somos Portugal.

O mais revoltante é a hipocrisia. Quando somos nós a precisar, a solidariedade do continente é exigida, quase como um direito adquirido. Aí convém lembrar que somos todos irmãos, todos portugueses. Mas quando o sofrimento é dos outros, fecha-se a boca. Especialmente quando a memória coletiva ainda está fresca e lembra a incompetência gritante do Governo Regional durante o incêndio da Serra d’Água, um desastre mal gerido, marcado por falhas, desorganização e ausência de liderança. Aí reconheço que não queriam ajuda, era melhor deixar arder para não mostrar a insuficiência de meios e os erros de avaliação da gravidade do incêndio. A solidariedade, nesse caso, não serviu para ajudar a narrativa do Governo. Serviu para expor fragilidades, erros e responsabilidades políticas. E isso não se esquece. Talvez por isso agora se escolha o silêncio, não vá alguém comparar respostas, não vá alguém lembrar que há quem saiba agir em crise… e quem só saiba falar depois.

Não resisto em dizer que o Governo que está no continente vai numa série de falta de governantes à altura dos problemas, saúde e emergência.

Quanto a Albuquerque, isto não é distração, nem prudência institucional. É mesquinhez política. É um cálculo frio que coloca o ego e a propaganda acima do sofrimento humano. Quem governa assim não falha apenas como político, falha como líder e como pessoa. Mas se ele falhou e falha com os madeirenses, na catástrofe e no modelo económico, como é que ele vai alcançar para outros no continente?

A solidariedade que só aparece quando convém não é solidariedade. É oportunismo. E o silêncio, neste caso, é cúmplice da indiferença. Não queremos Venturas nem Albuquerques.

Tenho a certeza absoluta de que o PRR na Madeira serviu para alguns encherem as algibeiras e não para recuperar dos problemas criados pela Covid e criar resiliência para novos eventos, como aqueles que advêm das alterações climáticas. A certeza advém do povo nunca ter acesso às verbas para melhorar as suas casas. Com se viu em Leiria, as telhas voam, os armazéns em estrutura metálica e folhas metálicas abatem-se, a rede elétrica e de comunicações colapsa, a água apesar de muita faz desaparecer a potável, para quê dizer mais quando tivemos um 20 de fevereiro? Solidariedade?!

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