- https://www.dnoticias.pt/2026/3/2/483211-psp-voltou-a-bloquear-carros-estacionados-na-praca-do-municipio/
E
Nalgum tempo ouviu-se servicinhos de operações stop à saída de eventos da oposição, uma forma de assédio político a mando de quem compra com meios entregues, a mesma coisa que fazem com os jornais, arrastando a asa. Se agora temos uma legislação permanente de aplicação intermitente, ora sim com os fracos, ora não com eventos religiosos, eventos do governo, o sistema e seus protegidos, a política instala-se nas autoridades.
Pela natureza da necessidade muitos vão buscar advogados ou Justiça fora da Região, a Justiça já está marcada por isso, diria desacreditada. Se agora a Polícia dá mostras do mesmo, toca num ponto sensível da coesão social na Madeira, a perceção de que a justiça se alastrou para a Polícia, é seletiva e de que as autoridades podem estar a ser instrumentalizadas pelo poder político ou por tradições intocáveis. A Lei é uma para todos, se quem a aplica é sectário, começa o desrespeito.
Bloquear carros de aluguer é tecnicamente correto perante a lei, mas se, no mesmo local e horário, viaturas de residentes (em eventos religiosos ou oficiais) são ignoradas, os carros de aluguer, quando imitam os locais por causa da religião, estão sob proteção divina, mas se vão descansar descansados, pela manhã sai a rifa, a Lei deve ser outra imposta pela religião. Se calhar o estrangeiro não bateu com a mão no peito. Cria-se a imagem de que a PSP protege o "sistema" e penaliza o "externo" ou o "desavisado". Isto é um dos sintomas mais graves de uma democracia em erosão.
Se as autoridades são usadas para causar incómodo específico temos o caldo entornado. Os meios do Estado são desviados da segurança pública para servir de "braço armado" de interesses partidários. Dizem que as autoridades Policiais estão minadas pelo Chega, o que juntando ao assédio do PSD, percebemos que vamos vivendo a mesma discricionariedade do Estado Novo.
A perda de prestígio com tudo isto que a população vai percebendo, mina a autoridade da PSP. A autoridade não advém apenas da farda, mas do consentimento da população. A tolerância "histórica" com o estacionamento abusivo em torno de igrejas ou eventos do Governo Regional cria uma casta de "protegidos". Mais uma camada de "protegidos". Quando o cidadão comum percebe que a lei só "morde" os fracos ou os que não têm conexões, o respeito pela instituição desvanece-se. A autoridade passa a ser temida, mas não respeitada.
Ter leis que só se aplicam quando convém, ou a quem convém, é a definição de um sistema clientelar. É o clima da madeira a passar para a Polícia.
O bloqueio de carros na Praça do Município hoje pode ser legalmente impecável, mas se não for aplicado com a mesma cegueira e rigor a todos, independentemente de estarem na missa ou num comício, a PSP arrisca-se a tornar-se apenas mais uma peça no tabuleiro político da Madeira, perdendo a confiança daqueles que deveria proteger.
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