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Historicamente, 2024 foi marcado por um El Niño forte, seguido por uma fase de La Niña/Neutralidade em 2025. As previsões atuais para 2026 indicam uma transição rápida que pode trazer o El Niño de volta ainda este ano. Os americanos, por força da sua exposição, são os que mais estudam o fenómeno, o que nos dá material para avaliar na nossa posição geográfica baseados em modelos de referência como o ECMWF (Europeu) e o NOAA (Americano).
É importante notar que o impacto do El Niño na Europa e nos arquipélagos atlânticos (Madeira e Açores) é muito mais incerto e indireto do que na América ou Ásia.
Embora o El Niño tenha efeitos "residuais" na Europa continental, na Madeira o cenário tende a apresentar uma maior probabilidade de meses mais quentes do que o normal, especialmente no verão e outono de 2026.
Não existe uma correlação direta de "muita chuva" ou "seca extrema" apenas pelo El Niño na nossa região, até ver, mas sentimos sem comprovar todavia para que continuamos a evoluir para um clima mais intenso, mais tempo de vento e mais intenso, quando chove é em maior quantidade fruto da temperatura mais alta. O nosso maior desafio é a transição rápida de padrões que pode causar instabilidade atmosférica localizada. O que o modelo ECMWF tem sugerido é que em 2026 poderemos ter episódios de precipitação mais concentrada (tempestades curtas e intensas) em vez de chuva persistente.
Para mim, o maior perigo advém da temperatura do mar. Espera-se que a temperatura da água do mar em redor da Madeira continue em valores elevados (acima da média histórica), o que pode servir de combustível para depressões ou tempestades tropicais, se as condições atmosféricas forem favoráveis. A temperatura da água do mar guia as tempestades, se tivermos mar mais quente do que noutras zonas do Atlântico as tempestades vêm para cima de nós.
Curiosamente, anos de El Niño forte no Pacífico costumam coincidir com uma redução na formação de furacões no Atlântico, o que poderá significar uma época de tempestades tropicais mais calma para o arquipélago. Por isso importa estar de olho na nossa zona e no Pacífico, o clima é uma "aldeia global".
O cenário mais provável para a região é de continuidade do aquecimento (mais "calor extremo") e uma maior imprevisibilidade nos padrões de chuva, sem garantias de um inverno rigoroso ou uma seca severa baseada apenas neste fenómeno. O vento tenderá a aumentar.
A cautela nestas análises é porque quero dar uma tendência, e ela importa, para como se constrói e como nos preparamos par eventos extremos. A tendência é já um aviso. Vamos tê-los, é preciso tirar as ilações das intempéries em sequência que ocorreram no continente.
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