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Com 50 anos disto, está oleado, e a malta que entra, até porque está batida nisto, sabe que se colaborar terá boa vida. É tácito o que tem a fazer... O meu texto surge porque agora a "travessia no deserto" está cada vez mais curta, porque a Madeira passou pela experiência de não castigar eleitoralmente a corrupção. Os partidos, não é defeito único do maior, perceberam que podem prevaricar mais. Assistimos ao vereador que atropelou no Funchal já investido de assessor. Foi premiado, porque é do partido, porque é dos nossos, porque precisamos de gente assim. Está claro que a Política se está a tornar uma fossa séptica que procura os rabos de palha para organizar a matilha.
O fenómeno da "matilha" funciona por puro instinto de sobrevivência. O indivíduo capaz, que questiona, que inova e que produz resultados por mérito próprio, torna-se um espelho desconfortável para quem chegou ao topo através de favores. Nasce o medo da competência, que alguns tentam colocar como seu escravo e nunca subir. A mediocridade manda na sabedoria.
Quem domina a arte do "expediente" sabe que não consegue competir no campo da eficácia. Por isso, a estratégia é mudar o campo de jogo para a política de corredor, onde a lealdade cega vale mais do que o talento técnico.
Os mais capazes, por natureza, não dominam as artes da manipulação, não porque não consigam, mas porque o seu foco está na criação de valor e na integridade. Quando se recusam a "agachar-se" ou a entrar no jogo das influências, tornam-se alvos a abater pela maioria organizada.
A corrupção não nasce apenas do suborno direto, nasce da institucionalização do favor. Ao escolher um medíocre que "executa sem questionar", o detentor do poder garante duas coisas:
- A segurança, o medíocre nunca fará sombra ao chefe.
- A dívida, o medíocre sabe que só está ali pela cunha, o que o torna um cúmplice silencioso em esquemas futuros.
Este processo cria um ciclo vicioso. Os melhores desistem, emigram ou isolam-se, adoentam, deixando o terreno fértil para que a "matilha" se multiplique. O resultado é o empobrecimento das instituições, onde a eficácia é sacrificada em nome do controlo e da sobrevivência do grupo.
É assim que está o Governo Regional, por isso tem toneladas de propaganda compradas com dinheiro, colaboracionismo de jornalistas, tarefas jornalísticas de assessores... um bordel.
Num sistema onde o 'chico-espertismo' é a regra, a honestidade passa a ser vista como ingenuidade, e a competência como uma insolência que deve ser castigada.
É a vitória do "quem conheces" sobre o "o que sabes". É o fim da liberdade de pensamento em troca da segurança do rebanho.
Nunca tivemos um Governo tão medíocre a coberto dos jornalistas, propriedade do sistema por becos, portas e travessas, que usam os meios de comunicação social para cuidar ... da mediocridade.
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