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Um micro "20 de fevereiro" a seco

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Recuperação e Resiliência?

E

sta derrocada no Curral das Freiras assemelha-se a um "20 de Fevereiro" em ponto pequeno e seco, onde a saturação do solo após vários dias de chuva intensa acabou por ceder, mesmo sem a tempestade visível no momento do colapso. Esta situação expõe de forma crua as nossas fragilidades orográficas e o perigo latente da gestão de encostas.

É alarmante observar a enorme quantidade de inertes, pedras e terra que ficam agora à disposição dos cursos de água, transformando a ribeira numa potencial "autoestrada" de detritos que, perante uma nova chuvada, pode arrastar tudo o que encontrar pelo caminho. Note-se que quando chove a sério há cursos de água normais e outros que se criam com a água desgovernada fora dos leitos normais a procurar caminho pela gravidade.

Esta imagem da derrocada no Curral das Freiras é impressionante e ilustra perfeitamente a fragilidade da nossa orografia. Quando a terra se move desta forma, a prioridade absoluta tem de ser a segurança das pessoas, mas a longo prazo, o debate sobre o ordenamento e as acessibilidades é inevitável.

Não aos teleféricos, não às escavações clandestinas à procura de pedra, mais saídas em túnel para haver solução de fluidez para abandono do lugar caso o pior aconteça.

Não basta uma inspeção visual. É necessário instalar sensores de movimento (inclinómetros) na crista das possíveis derrocadas para detetar micromovimentos que antecedem um novo colapso. Há muito trabalho para fazer no Curral em vez de teleféricos, este sim trabalho do GR... que não é infraestruturas negócios para os amigos.

Como refere a notícia, a precaução é a única regra válida. Se há risco de progressão da ravina em direção às fundações das casas na Seara Velha ou Balseiras, as famílias devem ser retiradas até que o LREC (Laboratório Regional de Engenharia Civil) garanta a estabilidade.

Embora o "efeito barragem" tenha sido descartado inicialmente, uma carga de chuva forte pode arrastar o material acumulado, criando uma enxurrada de detritos (lama e pedras) a jusante. A desobstrução controlada é vital.

O Curral das Freiras é uma "panela". Em caso de catástrofe (incêndio ou derrocada que corte a estrada principal), a população fica "encurralada". Um túnel que ligue o Curral a outra vertente (por exemplo, em direção ao Jardim da Serra ou à Fajã das Galinhas) não serviria apenas para o trânsito diário, mas como uma via de evacuação vital. Força que é obras! Necessárias!

Os teleféricos são infraestruturas de lazer e têm capacidade de transporte limitada e vulnerável ao vento. Já um acesso viário por túnel é uma infraestrutura de proteção civil. No ordenamento do território, a segurança dos residentes deve ter prioridade sobre a exploração turística.

Antes de qualquer nova estrada, a encosta afetada precisa de engenharia pesada, redes de alta resistência, pregagens ou muros de suporte em socalco, para evitar que o novo acesso sofra do mesmo mal.

Legislar sobre metros quadrados e unidades mínimas de solo rústico de nada serve se não houver um plano de zonas de risco rigoroso. No Curral das Freiras, a fragmentação da propriedade e a construção em zonas declivosas exige um debate sério sobre onde é que o Estado deve permitir (e apoiar) a fixação de populações.

O que se deve fazer agora é proteger as vidas, mas o passo seguinte tem de ser o investimento em acessibilidades pesadas (túneis) que garantam que o Curral das Freiras nunca fique isolado do resto da ilha.

Como a natureza mostra que temos um governo liderado por um "cozinheiro" de negociatas com tanto por fazer... e o PRR a acabar!

  • https://www.jm-madeira.pt/regiao/derrocada-no-curral-das-freiras-pode-levar-a-evacuacao-de-habitacoes-PB19903059

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