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Se hoje em dia tens escola pública, foi porque alguém decidiu que o saber não podia ser privilégio de poucos.
Se hoje em dia tens Serviço Nacional de Saúde, foi porque alguém entendeu que a vida humana não podia depender da carteira.
Se hoje em dia tens liberdade para falar, criticar, discordar e protestar contra o teu Governo, foi porque houve quem enfrentasse a censura, o medo, a repressão e o silêncio imposto.
Se hoje em dia tens direitos laborais, direitos civis e direitos políticos, foi porque houve um povo que se levantou para mudar o rumo da História.
Se hoje em dia tens acesso a inúmeros serviços públicos e gratuitos, isso não caiu do céu.
Se hoje em dia podes estudar, recorrer aos serviços do Estado, exigir justiça, reclamar dignidade e lutar por melhores condições de vida, isso foi arrancado ao antigo regime e conquistado pela força de Abril.
Nada disto foi oferecido por generosidade de quem mandava.
Nada disto foi uma prenda do poder.
Tudo isto foi conquistado com coragem, com resistência e com a vontade colectiva de viver em liberdade.
Por isso, quando usares a tua liberdade, lembra-te de onde ela veio.
Quando defenderes a tua escola, a tua saúde, o teu salário, o teu direito à palavra e o teu direito à manifestação, lembra-te de Abril.
Quando alguém te disser que os direitos “aparecem sozinhos” ou que a liberdade “não se perde”, lembra-te de quantos sacrificaram a vida para que hoje pudesses falar sem pedir licença.
Antes de Abril, havia censura, medo, miséria, atraso e silêncio.
Depois de Abril, o povo ganhou voz, ganhou direitos, ganhou esperança e ganhou a possibilidade de sonhar com um país mais justo, mais livre e mais digno.
Por isso, não deixes que te mintam.
A liberdade não nasceu pronta.
A justiça não caiu do céu.
A democracia não foi um acaso.
Foi feita por quem lutou por ela.
E quando tentarem enfraquecer o que Abril construiu, lembra-te disto:
quem não conhece a História arrisca-se a perder o futuro.
Quem desvaloriza Abril desvaloriza a liberdade.
Quem despreza as conquistas do povo prepara terreno para a injustiça regressar com outra máscara.
Abril não é passado. Abril é o chão onde ainda hoje caminhamos.
Abril é memória. Abril é conquista. Abril é responsabilidade.
E enquanto houver quem queira apagar essa verdade, haverá também quem a defenda.
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