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Madeira Nostrum

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D

eu à costa a coroa da Rainha. Leve, brilhante, oca. Feita de narrativa bem ensaiada e validação apressada. Agora, exposta à luz errada, revela o que sempre foi: forma sem verificação. Catarina Castro não abriu caminho. Encontrou portas abertas por um sistema que prefere brilho a prova. Na Madeira, esse hábito é quase institucional. Proximidade confunde-se com mérito, fotografia substitui escrutínio, e a validação chega antes das perguntas.

O episódio do Mare Nostrum Funds é exemplar. Apresentada como administradora com pompa e circunstância, acolhida como se o currículo fosse autoevidente. Ninguém travou para fazer o básico. Ninguém quis ser o incómodo. E quando ninguém pergunta, qualquer narrativa passa a verdade operacional.

Depois entram os bancos. Sempre os bancos. O Banco Best, alinhado, elegante, convenientemente distraído. Enquanto há fluxo, há entusiasmo. Quando surgem dúvidas, instala-se o desconhecimento. Um clássico. O risco é estudado em apresentações e ignorado na prática quando chega bem vestido.

E os detalhes incómodos continuam a pairar. Londres como ideia, não como prova. Santander como referência, não como densidade. O que falta dizer pesa mais do que o que é repetido. Mas num ecossistema que valida primeiro e verifica depois, isso nunca foi obstáculo.

Os clientes, esses, fazem o papel habitual. Confiam. Investem. Depois recebem silêncio técnico e respostas de mercearia institucional. A confiança transforma-se em rodapé.

A política regional, previsível, não resistiu ao fascínio. Acolheu, validou, exibiu. O ciclo repete-se: primeiro o palco, depois o problema. Nunca ao contrário.

E no meio disto, o ruído mediático. A SIC Notícias, tão zelosa da análise, arrisca descobrir que curadoria também é responsabilidade. Dar palco a quem performa melhor do que prova não eleva o debate. Dilui-o. Donas brancas a comentar finanças é entretenimento. Não é escrutínio.

No fim, todos parecem surpreendidos. Como se não tivessem participado. Como se a coroa tivesse surgido sozinha.

Não surgiu.

Foi colocada.

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