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Universidade & Companhia, uma questão de família

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H

á instituições onde a meritocracia é um princípio. E depois há aquelas onde é mais um conceito decorativo tipo planta de plástico: está lá, mas não cresce. Na ARDITI e na Universidade da Madeira parece ter-se desenvolvido uma nova escola de pensamento organizacional, o modelo familiar integrado. Aqui, a eficiência mede-se pela proximidade genética ou emocional. Grupos de trabalho? Um agradável reencontro de Natal sem bacalhau. Concursos? Um exercício de confirmação de expectativas previamente partilhadas ao jantar. Avaliações? Um gesto de carinho institucional.

É um ecossistema curioso, onde os laços académicos coexistem harmoniosamente com os laços conjugais, parentais e, digamos, afetivo-estratégicos. A interdisciplinaridade ganhou um novo significado, mistura-se investigação com relações familiares e obtém-se… promiscuidade institucional. Não científica, claro, mas social.

Há quem chame a isto nepotismo. Eu prefiro ver como uma aposta na continuidade. Afinal, para quê arriscar talento externo quando se pode garantir previsibilidade interna? A incerteza é inimiga do conforto, e nada mais confortável do que avaliar, selecionar ou deliberar sobre quem já nos conhece desde o batizado, ou pelo menos desde aquele congresso “muito produtivo” em que tudo começou.

Entretanto, os regulamentos vão sendo afinados com uma elegância jurídica. Nada ostensivo, apenas o suficiente para garantir que o mérito, esse conceito volátil, encontra sempre o caminho certo… para as pessoas certas. Uma espécie de GPS institucional, calibrado com precisão afetiva e sexual.

E aqui chegamos ao ponto alto, o combate à corrupção. Ou melhor, a sua versão teórica mandatada na semana passada por uma equipa de advogados que mal sabem falar. Talvez fosse interessante que este novo gabinete de combate à corrupção, saísse para uma pequena visita de estudo ali para os lados do tecnopolo, da reitoria e do edifício da penteada. Nada de muito cansativo, apenas observar como, em certos contextos, o conflito de interesses não é um problema a evitar, mas um detalhe a gerir com discrição.

Talvez um parecer também ajudasse, sobre algo como não escrever regulamentos que parecem ter sido pensados ao espelho. Ou melhor ainda, como distinguir entre interesse e dinheiro público e interesse de família, uma nuance aparentemente desafiante em alguns círculos.

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