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Albuquerque "desvaloriza"

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Albuquerque aposta na desvalorização para quando chegar à sua vez.

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azer um levantamento de quantas vezes Miguel Albuquerque utilizou a palavra "desvalorizar" é uma tarefa medonha, mas porque reparei na frequência com que o diz para minimizar os azares, erros, alegados crimes, flops, etc, tenho alguns. É a sua forma de reduzir a escombros e deixar a conversa por ali. Como temos um jornalismo macio eles entendem que o "chefe" quer ficar por ali, de maneira que manda as boas graças ficar quieto.

O termo "desvaloriza" tornou-se quase uma marca registada associada ao líder do governo. Em vez de admitir crises ou reações defensivas extremas, a estratégia de comunicação passa frequentemente por menorizar o impacto político, legal ou social dos assuntos que não lhe convêm.

Exemplos marcantes e recentes ...

Recentemente, depois do tribunal concluir existirem "fortes indícios" de corrupção e fraude fiscal no processo que envolve Pedro Calado e os empresários investigados, Albuquerque apressou-se a desvalorizar a decisão. Argumentou que a decisão não agravava as medidas de coação e que "indícios podem ser o que você quiser".

Nas eleições regionais anteriores, quando foi advertido pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) por violar os deveres de neutralidade em campanha, desvalorizou a queixa da oposição alegando que se limitava a fazer o seu trabalho institucional.

Perante pedidos de demissão dirigidos a membros do seu governo (como o secretário Eduardo Jesus), a resposta habitual passa por desvalorizar o peso da oposição, afirmando até que "elogios da oposição seriam um mau sinal".

Durante os graves incêndios que lavraram na Região e geraram forte contestação à Proteção Civil regional, Albuquerque desvalorizou o alarme público e as críticas à estratégia de combate. Chegou a desvalorizar o relato de habitações afetadas com a frase "se existir, ninguém se feriu", classificando a reação pública como "retórica alarmista".

Quando confrontado com os dados estatísticos que colocavam a Madeira com a segunda taxa de risco de pobreza mais elevada do país, a sua reação foi desvalorizar o indicador, criticando antes os critérios utilizados pelas entidades que fazem a métrica.

Na prática, "desvalorizar" não é apenas uma palavra repetida, mas sim o pilar de uma narrativa política que visa retirar oxigénio mediático às polémicas, empurrando os temas desconfortáveis para a esfera do "ruído político normal" ou do "ataque partidário".

Desvalorizar é momento de fraqueza do líder e todos se deixam estar.

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