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Albuquerque não está bem, vive desligado do mundo real.

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  • https://www.jm-madeira.pt/regiao/posei-tem-de-ser-alargado-as-pescas-e-aos-transportes-CG20261883 

O POSEI que governe por mim e trate dos madeirenses.
Bruxelas será a nova culpada do desastre nas pescas e nos transportes?

O

 debate em torno do modelo económico da Madeira e da sua dependência dos fundos europeus toca no coração da própria autonomia regional. A notícia do Jornal da Madeira sobre a exigência do Governo Regional em manter o POSEI (Programa de Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à Insularidade) e alargá-lo às pescas e aos transportes expõe uma contradição profunda, como conciliar a narrativa de uma região próspera e com um PIB em crescimento com a necessidade perpétua de subsídios para sustentar a economia básica?

Vejo os madeirenses também longe, uns usufruem e fazem claque, outros com poucos objectivos na vida vivem o melhor que podem e não se querem chatear. É um erro que não nos tira deste buraco de uns cada vez mais pobres e outros cada vez mais ricos.

Vamos refletir um bocadinho sem soundbites? Longe das manobras de Albuquerque, o Governo e seu Grupo Parlamentar...

A ilusão do PIB e a fragilidade da classe média

A Madeira apresenta frequentemente indicadores macroeconómicos "impressionantes", impulsionados sobretudo pelo turismo de luxo, pelo imobiliário e pelos serviços associados ao Centro Internacional de Negócios (Zona Franca). No entanto, este PIB elevado não se traduz na criação de uma classe média robusta por vários motivos.

Existe uma assimetria brutal entre os setores altamente lucrativos (como o imobiliário e a hotelaria) e os setores tradicionais (agricultura e pescas). Enquanto os primeiros concentram o capital, os segundos sobrevivem com rendimentos muito baixos. É uma economia dual, paralela, disfuncional. Albuquerque foca-se nos números do sucesso de algum e falta-lhe muito para sentir a responsabilidade de elevar todos ao patamar de uma extensa classe média e não esta bagunça de empresários do regime, tachistas, gente e famílias do partido, uma casta à parte.

O dinheiro que inflaciona o PIB muitas vezes não fica na economia real das famílias madeirenses. Fica retido em grandes grupos económicos ou em investimentos estrangeiros, deixando a população local a braços com salários médios baixos e um custo de vida galopante (especialmente no acesso à habitação). Chama-se a isto concentração de riqueza, naturalmente com "concentração de pobreza".

Sem os subsídios ao transporte e à produção, os produtos regionais simplesmente não conseguiriam competir no mercado global, nem os madeirenses conseguiriam pagar os bens importados. Albuquerque sabe disto no meio do seu sucesso e então sugere que o POSEI que trate dos pobres que ele trata dos ricos, sobretudo os que vêm para a Madeira lavar dinheiro.

O dilema europeu: solidariedade vs. dependência crónica

O que dirão os "centralistas" de Bruxelas com décadas nesta insolúvel questão quando o dinheiro deve ser reorientado para outras prioridades? A Europa deve acolher novos países e desenvolvê-los e a Madeira, a grandiosa, premiada e melhor do mundo anda amarrada a este problema social?

A perspetiva de que a Europa poderá, a longo prazo, questionar esta política de "mão estendida" é um cenário real e preocupante. O argumento de quem critica o atual modelo assenta no facto de que, após décadas de fundos estruturais e de coesão, a Região não conseguiu criar um tecido económico verdadeiramente auto-sustentável. Os autoelogios de Albuquerque são uma fuga à verdade.

Quando a estratégia política passa por exigir sistematicamente o alargamento de programas como o POSEI aos transportes e às pescas, assume-se implicitamente que, sem a muleta europeia, estas atividades colapsam. Onde está o trabalho de Albuquerque, é só para os amigos do betão? Para os críticos, isto demonstra uma falha grave no planeamento estratégico regional, que devia ter usado os fundos para modernizar, criar valor acrescentado e diversificar a economia, em vez de apenas mitigar prejuízos e manter o status quo. Estamos no vício subsídio, para conter o social, enquanto o dinheiro público é aplicado em interesses pessoais do núcleo de poder, governantes e empresários.

Bruxelas enfrenta pressões internas crescentes para redirecionar fundos para novas frentes globais (como a transição climática, a segurança e a coesão de novos Estados-membros a Leste). A ideia de manter regiões em "subsidiodependência" permanente começa a sofrer desgaste político na Europa Central. Nós é que não fizemos a nossa parte, eles estão há décadas a financiar a saída da cepa torta.

Por outro lado: a defesa da ultraperiferia

Quem defende a posição do Governo Regional, como se vê no discurso de Miguel Albuquerque e Nuno Maciel, argumenta que o POSEI não é uma "esmola", mas sim um direito à compensação geográfica consagrado no Tratado de Lisboa (Artigo 349.º). A ultraperiferia impõe barreiras físicas intransponíveis, o mar não vai encolher, a distância ao continente não vai diminuir e o território montanhoso da Madeira nunca permitirá uma agricultura de grande escala altamente rentável. Sob esta ótica, os apoios aos transportes e ao abastecimento são essenciais para manter a coesão social e evitar a desertificação humana das ilhas.

O investimento atual do Governo Regional, as suas prioridades, manifestam esta preocupação?

O grande desafio da Madeira para os próximos anos não será apenas conseguir que a Europa mantenha ou alargue os cordões à bolsa, mas sim garantir que esses fundos sejam aplicados na verdadeira transformação estrutural. Enquanto os subsídios servirem apenas para anestesiar uma economia de baixos salários e proteger privilégios, a Região continuará economicamente vulnerável e com uma classe média estrangulada, apesar da grandiosidade dos seus números oficiais.

E o mais grave é que isto não afeta só quem lá está. Afeta todos. Porque uma universidade que funciona assim deixa de ser credível e, pior ainda, deixa de cumprir o seu papel.

O problema não é o barulho.

É o silêncio de quem vê isto acontecer e permite, é conivente. É a normalização de um sistema onde o mérito deixa de abrir portas. E quando uma universidade chega a esse ponto é um jogo viciado muito feio de se ver.

Estamos a viver uma economia fictícia e insustentável. Registe para memória futura. Tivemos décadas para nos preparar para novos tempos e não estamos.

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