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A Madeira continua a produzir jogadores de enorme qualidade. O problema nunca foi falta de talento. O problema é que Nacional e Marítimo deixaram de acreditar verdadeiramente nos jogadores da terra. Preferem apostar em jogadores de fora, muitos deles sem qualidade superior, apenas porque chegam ligados a empresários. E os empresários tornaram-se uma praga no futebol regional: movimentam jogadores, alimentam interesses e usam jovens atletas como mercadoria.
Quem não se lembra dos sub-17 do Nacional que terminaram num histórico 3.º lugar? Quem não se lembra dos sub-19 que disputaram o Campeonato Nacional contra algumas das melhores academias do país? Gerações cheias de talento, jogadores acima da média regional, muitos apontados como futuros profissionais. E onde estão hoje? Quantos chegaram à equipa principal? Quantos tiveram oportunidades reais? Quase nenhuns. Isso destrói qualquer discurso bonito sobre “aposta na formação”.
Mas o problema não acaba aí. A formação madeirense tornou-se uma montra de treinadores frustrados, mais preocupados com o próprio ego e currículo do que com o crescimento dos jogadores. Há treinadores que destruíram mais carreiras do que aquelas que ajudaram a construir. Estes mesmos treinadores que são exemplos constantemente associados a ambientes tóxicos, perseguições e desgaste psicológico de jovens atletas. E mesmo assim continuam protegidos por dirigentes sem coragem para assumir o desastre que ajudaram a criar.
O futebol madeirense vive hoje uma mentira perigosa: continua a falar de formação enquanto destrói silenciosamente gerações inteiras de jogadores. E a maior vergonha não é faltar talento na Madeira. A maior vergonha é haver clubes incapazes de o reconhecer, proteger e lançar antes que seja tarde demais.
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