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Turismo? Que venha o diabo e escolha!

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ão cada vez mais frequentes os protestos e desabafos que lemos no espaço Madeira Opina relativamente aos excessos cometidos por aquele turismo que ultimamente nos visita e que é comummente apelidado de “rasca”.

Apesar de ter a noção de que o turismo é, talvez, um mal necessário para a nossa ilha, gostaria, desta vez, de deixar de lado o “tal turismo rasca” e referir-me ao turismo de “elite” aquele do qual muitos madeirenses se sentem saudosos. 

A ilha da Madeira sempre atraiu turistas europeus com poder de compra, que vêm usufruir da beleza, clima e qualidade de vida que não têm nos seus países, a preços que para eles são bem comportáveis, visto que, como todos sabemos, os preços praticados na hotelaria madeirense, dado o seu poder de compra, são uma pechincha.

Enquanto que os madeirenses não têm hipótese de comprar, nem sequer alugar casa na sua terra, vários relatórios e notícias apontam para um forte aumento da compra de imóveis por estrangeiros, sobretudo alemães, britânicos, franceses e norte-americanos, especialmente em zonas turísticas e de luxo. Parte desses estrangeiros vive permanentemente na Madeira e outra parte usa as casas como residência secundária ou alojamento local.

De acordo com os dados da DREM relativos a 2024, divulgados em 2025, cerca de 19 mil estrangeiros residem na Madeira. 

Vou destacar aqui um grupo, o dos alemães, que é atualmente uma das maiores comunidades na Madeira, cerca de 1500 (que poderá ser atualmente superior ao oficialmente registado), de acordo com o divulgado em 2023 pela então embaixadora da Alemanha em Portugal. O motivo pelo qual lhes dou tanto destaque, infelizmente não é bom. De acordo com aquilo que tenho tido oportunidade de conhecer e apurar por toda a ilha, em consequência da minha profissão, estes estrangeiros residentes na nossa ilha são, cada vez mais, “personas non gratas”. Compram casa no campo e já se sentem donos da freguesia, compram apartamentos e julgam-se donos do condomínio inteiro. São tão prepotentes que olham “de cima” para os madeirenses, que consideram inferiores (“untermensch”); sentem desprezo pela língua portuguesa (em muitos hotéis até exigem que os empregados falem alemão); vivem em grupos fechados, pois só consideram à sua altura os seus compatriotas; criticam tudo e todos, desde o funcionamento do trânsito até à política. Acham que somos subdesenvolvidos e que devíamos seguir as suas instruções e por isso sentem-se no direito de controlar tudo, mandar em tudo, porque afinal eles vieram para nos ensinar como é que se devem fazer as coisas. Se não estivermos atentos e preparados para agir, daqui a pouco eles vão mesmo mandar em tudo, pois consideram-se os “donos disto tudo”. 

Como se diz por aqui, “estão muito mal habituados”! Já lá se foi o tempo em que os turistas na Madeira eram tratados “nas palminhas”, como se de seres superiores se tratassem. A Madeira evoluiu muito nos últimos cinquenta anos e a grande maioria dos madeirenses já “abriu os olhinhos”. Atualmente, em Portugal, o nível mínimo de escolaridade é o décimo segundo ano. Os madeirenses já não são tão pobres como antigamente e são muito mais instruídos, por isso estão a ficar fartos de “engolir sapos”. 

O maior problema é que este “apartheid” que eles defendem, colocando-se no topo, e tentando expandir os seus tentáculos por toda a ilha, não se deve à dificuldade de integração e aculturação, mas sim ao desprezo que sentem pela nossa cultura e pela nossa língua. É um lema deles – sugar da Madeira aquilo que ela tem de bom – mas não se misturarem com os “untermensch”.

Já diz o velho ditado:” Em Roma sê romano”. Mais, quando não estamos na ”nossa casa”, temos o estatuto de visitas e as visitas devem sujeitar- se às regras dos anfitriões. Em bom madeirense “Não gostam, ponham na borda do prato.” É o conselho que lhes dou – Não gostam, têm bom remédio, vão para casa!

Termino, congratulando-me, não com  satisfação perante o infortúnio dos outros (“schadenfreude”) mas sim com o facto de, finalmente, os madeirenses estarem mais despertos para a questão do turismo – vantagens e desvantagens. Espero que este tema continue a ser amplamente debatido e que se coloquem limites aos diferentes tipos de abuso, porque, neste momento, entre um tipo e outro de turismo que, nalguns casos, nos procura, só posso dizer: Que venha o diabo e escolha!

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