O director do LREC hoje parece aqueles carros com crucifixo pendurado no retrovisor... fujam.
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Mas analisando o conteúdo das declarações do entrevistado, o diretor do LREC, encontram-se algumas contradições lógicas, ambiguidades institucionais e o que se pode considerar como "desculpas de sacudir a água do capote" relativamente à segurança pública na Madeira. Ninguém é perfeito a perfilar com a máfia instalada.
Aponto pelo menos 4 momentos.
1. A contradição do risco vs. comportamento das pessoas (a "Terra Sem Lei")
O que ele diz: na página 5, ao falar sobre a Estrada dos Anjos (Ponta do Sol), afirma que a estrada é perigosa e que o risco está sempre lá, mas acrescenta: "É divertido, mas é perigoso, mas toda a gente sabe disso. Portanto, as pessoas são claramente por sua conta e risco".
Bebeu uns grogues com o Guarda antes da entrevista? Esta postura entra em direta contradição com o papel de um organismo público de engenharia civil e proteção civil. Ao normalizar que uma infraestrutura pública perigosa e muito frequentada seja tratada como algo "divertido" e de "conta e risco" individual, o diretor demite-se e demite o Estado da responsabilidade de garantir a segurança, criando o tal ambiente de "terra sem lei" onde a sinalização é ignorada porque a própria autoridade desvaloriza a situação. No fundo isto é natural num governo com um manancial de erros desvalorizados.
2. A contradição institucional de avaliar o risco mas não ter poder de decisão
O que ele diz: na página 5, afirma "nós não controlamos o número de ocorrências nas escarpas (...) o LREC faz a avaliação de riscos (...) mas o LREC não tem qualquer poder de decisão em matéria de segurança".
Logo a seguir, na mesma página, admite que as câmaras municipais e a administração pública tomam decisões e avançam com projetos (como o do Seixal ou de Câmara de Lobos) precisamente em função dos dados técnicos, relatórios e pressões do LREC. Dizer que o laboratório "não tem poder de decisão" serve para desresponsabilizar o organismo quando acontecem tragédias, embora o LREC seja o braço técnico que valida ou trava a utilização dessas mesmas vias.
Problemas no LREC só quando o Marques lhe passou pela cabeça, pressionado ou não, a privatizar o LREC para o monstro do betão.
3. Ambiguidade temporal nas novas competências (o LREC e o Mar)
O que ele diz: o título em grande destaque afirma que o "LREC passará a controlar orla costeira a partir do próximo ano". No texto da entrevista (página 4), o jornalista pergunta: "Essa será então uma nova valência do LREC?" e o diretor responde detalhando o que vão fazer no mar e na costa a partir do próximo ano.
No entanto, no parágrafo de enquadramento (subtítulo central), refere-se expressamente que esta foi uma "atribuição, em 2018, da responsabilidade da avaliação dos riscos naturais na ilha da Madeira", que depois foi estendida às aluviões e incêndios. Se a responsabilidade de avaliar os riscos na orla costeira já tinha sido atribuída em decretos anteriores de reestruturação de competências, o argumento de que só "passará a controlar no próximo ano" (por dependência de fundos europeus para comprar equipamentos) demonstra uma enorme lentidão de resposta, quase uma década depois (2018 para 2026/2027) para pôr em prática uma competência que já devia estar salvaguardada.
Rico funcionamento!
4. Falta de dados claros sobre os Recursos Humanos
O que ele diz: ao ser questionado se há profissionais suficientes para todas as áreas (página 4), ele responde: "São cerca de 50 pessoas, um número que se tem vindo a manter ao longo dos últimos anos (...) não são muitos, são cerca de metade mais ou menos, e essa metade produz esse trabalho...".
A resposta é extremamente vaga e contraditória. Primeiro diz que 50 pessoas é um número que se mantém, mas logo a seguir diz que "não são muitos, são cerca de metade mais ou menos" a trabalhar a sério na produção de relatórios. Esta indefinição ("metade mais ou menos") num cargo de direção demonstra falta de rigor sobre o mapa de pessoal e a capacidade real do laboratório para cobrir tantas valências novas (costa, fogos, aluviões, escarpas). Cá para mim, diga a verdade, o LREC vai sendo preenchido com tachinhos que nada acrescentam e são sempre os mesmos validos a chegar para tudo, mas com certeza o SIADAP será para as cunhas para poder ficar mais uns tempos em boas graças.
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