Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

Há algo profundamente errado na engrenagem da máquina de propaganda.

Moderação 0

Fui autor do texto  "Foi com a diluição dos ricos estrangeiros ou a emigração da juventude?", vou prosseguir com o raciocínio.

D

epois do "fim da pobreza" pergunta-se o porquê do bem estar e a classe média não estar a procriar? Analisando a página 5 do Diário de Notícias da Madeira de hoje , conclui-se que dá cabo da página 2, cruzada com os dados de pobreza da página anterior, podemos tirar ilações profundas e alarmantes sobre o modelo social e económico da Região.

A "Madeira mantém a mais baixa fecundidade do País" (1,16 filhos por mulher em 2025). A ilação mais imediata é o choque entre a propaganda política e a realidade demográfica. Se a Madeira reduziu tanto a pobreza, por que razão os madeirenses não têm filhos? Não estamos a falar de falta de fecundidade mas de procriação.

A resposta está na asfixia das gerações em idade fértil, emigram ou não têm casa e condições financeiras para procriar. O índice de fecundidade desceu de 1,20 para 1,16, muito longe do limiar de renovação das gerações (2,1). Isto prova que, apesar dos indicadores macroeconómicos positivos, a classe média-jovem não encontra estabilidade financeira, habitação acessível ou conciliação profissional para constituir ou aumentar a família. E ainda queriam aprovar aquele Pacote Laboral?

A população residente aumentou para 266.130 habitantes, o valor mais alto em 14 anos. Contudo, as estatísticas explicam que este crescimento deveu-se exclusivamente ao saldo migratório positivo (+2.557 imigrantes), que compensou o "agravamento do saldo natural negativo". Ou seja nós morremos mais do que nascemos, emigramos mais, mas a aposta em "cheap people" traz imigração para trabalho com remunerações baixas que nos países de origem rende alguma coisa noutra realidade económica.

A Madeira está a viver um fenómeno de substituição demográfica, permanentemente relatado no Madeira Opina por diversas pessoas que vejo escrever. Enquanto a base da pirâmide nativa encolhe e os jovens qualificados emigram (devido à falta de oportunidades, aos baixos salários face ao custo de vida), a população cresce à custa da entrada de cidadãos estrangeiros — sejam imigrantes para setores de mão de obra intensiva (construção, turismo), sejam reformados estrangeiros com elevado poder de compra.

O envelhecimento demográfico agravou-se severamente: 21,9% da população tem mais de 65 anos e o índice de envelhecimento subiu para 186,5 idosos por cada 100 jovens. Concelhos como Porto Moniz (310,5) e Santana (306,2) têm três vezes mais idosos do que jovens. A idade mediana da população já vai nos 47,2 anos. Ainda bem que vamos todos jogar golfe...

O modelo social atual é insustentável a médio prazo. Com cada vez menos jovens a entrar no mercado de trabalho e uma massa gigante de idosos, os sistemas de saúde regionais e os apoios sociais (como o estatuto do cuidador informal que mencionou) vão colapsar sob a pressão da procura, sem que haja contribuintes locais suficientes para os sustentar. E depois para poupar na Segurança Social os apoios sociais serão inacessível por condições que ninguém cumpre. Continuaremos a ter estatísticas maravilhosas...

Os dados mostram ainda que os óbitos aumentaram 11,6% (2.872 mortes em 2025) e as dissoluções de casamentos por morte de um dos cônjuges subiram, aumentando a taxa bruta de viuvez.

Caminhamos para uma sociedade fragmentada e isolada. O aumento de idosos a viver sozinhos (viúvos) exige uma rotação urgente das prioridades do Governo Regional, focando-se no apoio à dependência e à solidão, em vez de apenas canalizar fundos para o betão ou para o turismo de massas.

Estes dados desmascaram a narrativa oficial. A Madeira pode estar a "reduzir a pobreza" no papel, mas está a falhar no essencial, dar condições para a sua própria população se reproduzir e fixar. Uma região que não gera filhos, que envelhece a um ritmo galopante e que depende inteiramente de fluxos migratórios exteriores para não esvaziar é uma região economicamente vulnerável e socialmente frágil.

Há algo profundamente errado na engrenagem desta máquina regional da propaganda. O Diário de Notícias nas Fake News por falta de comparência na análise, para estar em estado de graça, mas ajuda a destruir a Madeira.

Hoje joga Portugal, o povo nem quer saber disto, é tão perfeito este genocídio.

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.