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A sintonizar estações...

Foi com a diluição dos ricos estrangeiros ou a emigração da juventude?

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Mais um "PIB".

O

 Diário está cada vez mais profissional a armar propaganda, mas pergunto como é que as pessoas que sabem o que têm em casa vão reagir? A notícia publicada hoje, 23 de junho de 2026, no Diário de Notícias da Madeira traz dados estatísticos do Eurostat que parecem colidir diretamente com a perceção quotidiana de muitos cidadãos. A manchete afirma que a "Madeira é a 4.ª região europeia que mais reduziu a pobreza" entre 2017 e 2024. Eu acho que a Madeira é uma fábrica de pobres. Meteram muita gente cá e há cada vez mais folia dos mesmos, mas os pobres não desaparecem e os vencimentos não estão a acompanhar o custo de vida.

Quem forneceu os dados? Segundo a análise da Direção Regional de Estatística (DREM) a taxa de risco de pobreza na Região caiu de 27,5% em 2017 para 16,6% em 2024. A taxa AROPE (que junta pobreza monetária, privação material severa e intensidade laboral baixa) recuou para 20,5% em 2025, colocando a Madeira ligeiramente abaixo da média europeia (20,9%). A desigualdade entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres também terá diminuído.

A Secretária Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude associa estes números à eficácia das políticas públicas e ao dinamismo económico. Não me digam que é o PIB?!

Porque é que o sentimento geral desmente as estatísticas?

As suas dúvidas sobre se as pessoas estão a viver pior, se há obstáculos nos apoios ou se o desemprego baixou devido à emigração tocam em pontos estruturais que os números agregados muitas vezes mascaram:

A "taxa de risco de pobreza" mede rendimentos relativos. Alguém pode estar tecnicamente "acima da linha de pobreza" oficial e, ainda assim, não conseguir pagar as contas. Na Madeira, a inflação acumulada e, acima de tudo, a crise na habitação (preços de arrendamento e compra proibitivos para os salários locais) fazem com que o dinheiro disponível "desapareça" muito mais depressa.

A emigração silenciosa existe e está cada vez mais forte, com o Inverno demográfico e este ritmo de emigração, esta sociedade nativa da Madeira vai morrer antes das previsões, vai ser como as alterações climáticas, vai antecipar. Quando uma população vulnerável ou jovem desempregada emigra em massa à procura de melhores condições no Reino Unido, canal ou noutros pontos da Europa, ela deixa de contar para as estatísticas de pobreza e desemprego locais. A taxa melhora no papel, mas não porque a situação de quem cá estava tenha prosperado na Região.

O acesso a apoios sociais muitas vezes esbarra em critérios extremamente rígidos que deixam de fora franjas significativas da população que, apesar de trabalharem ou terem pequenas reformas, continuam em situação de enorme fragilidade financeira.

Este desfasamento entre o "sucesso estatístico" europeu e a asfixia financeira das famílias é o combustível ideal para um debate sério na opinião pública madeirense, mas os populares serão escolhidos como escolhem sempre os mesmos comentadores.

Não adianta disfarçar, o madeirense a este ritmo vai desaparecer da Madeira. Até quando dura este ilusionismo. Os madeirenses estão a desaparecer, porquê?

Na mesma edição de hoje existe outra notícia que prova este sucesso de cristal, mas escreverei noutro texto para não me alongar. Prossegue em: "Há algo profundamente errado na engrenagem da máquina de propaganda".

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