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Ornitologia de turismo rasca

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 Madeira está entregue à bicharada, mas não os endémicos, os infestantes. Os bichos desta terra agora não têm sossego no seu habitat e estão a mudar de hábitos, localizações e até de alimentação! A gentrificação a chegar à serra.

Já me tinham avisado, agora vi in loco, mais um novo fenómeno alarmante a destruir o equilíbrio biológico das serras, os guias turísticos (M/F) e agências estão a levar comida para que os turistas a deem aos pássaros (como o emblemático Tentilhão-da-Madeira), tudo para garantir a fotografia perfeita para as redes sociais. Alimentar aves por um "like" é um crime ambiental?

Esta prática, egoísta e puramente comercial, é profundamente prejudicial por razões ecológicas graves. Alimentos processados pelo ser humano (como pão, bolachas ou snacks) contêm sal, açúcares e conservantes que o sistema digestivo destas aves não consegue processar, provocando doenças, desnutrição e até a morte. Alteração drástica da dieta!

Ao receberem comida fácil, as aves deixam de caçar insetos e de procurar sementes na floresta, alterando os seus costumes e tornando-se totalmente dependentes do ser humano para sobreviver. Destruição dos instintos naturais!

Os pássaros perdem o medo natural de aproximação. Isto torna-os alvos fáceis para predadores, acidentes ou mesmo para pessoas com más intenções. Perda do medo e vulnerabilidade!

Ao deixarem de consumir insetos, quebra-se o controlo natural de pragas na vegetação, afetando diretamente a saúde de todo o ecossistema da Laurissilva. Impacto em cadeia na floresta!

Uma reserva natural classificada como Património Mundial da UNESCO à mercê de estradas, turismo massivo, alteração do equilíbrio, isto não tem travão? Usar a fauna endémica como mero adereço fotográfico, com a cumplicidade de quem devia guiar com ética, é a prova máxima de um turismo rasca, predador e sem escrúpulos. Exige-se fiscalização urgente e pesada penalização para estes guias e promotores antes que o dano seja irreversível. Também são intocáveis?

Na fotografia, os dois das pontas (esquerda/trás e direita) são machos, têm cores muito mais vivas e contrastadas, com o peito rosado/acastanhado e o topo da cabeça num tom azul-acinzentado muito característico. O do centro (mais à frente) é uma fêmea, tem tons mais discretos, acastanhados e esverdeados, que servem de camuflagem na natureza. Todos partilham as duas riscas brancas bem visíveis nas asas, que são a "marca registada" da espécie.

O Eduardo Jesus vai dar cabo de toda a fauna, madeirenses e animais. Metam-no na gaiola!

Nota: "Alberto" isto nada tem a ver com o nosso tempo, faz alguma coisa...

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