- https://www.jm-madeira.pt/not%C3%ADcias/desporto/30002016/saida-de-ronaldo-sera-um-drama-para-a-marca-da-selecao.html
O que muitos suspeitavam está esclarecido nesta notícia, até penso que só a deram para engrandecer o Ronaldo em vez de perceber que desistimos de ganhar
A
Quando se fala no impacto financeiro ou na perda de valor de uma "marca" com a saída de figuras como Cristiano Ronaldo, fica a nu a dimensão corporativa que tomou conta das federações e dos grandes organismos desportivos. Hoje, as convocatórias, os horários dos jogos e a própria estrutura das competições parecem, por vezes, desenhados a pensar em métricas de engagement global e contratos publicitários, ficando o futebol propriamente dito para segundo plano. Agora até arranjaram mais dois intervalos por jogo para vender mais publicidade. Dá para inverter o jogo como dá para perder a concentração.
A "Marca" na seleção parece os prédios pretos do Funchal. Desculpem a ousadia, mas é para fazer pensar um bocadinho. É que vejo no Mundial uma folia de gente que só acorda de 4 em 4 anos. E somos abalroados pela quantidade como o turismo massivo na nossa terra.
A Federação e as marcas argumentam que as receitas geradas por superestrelas financiam a formação, as infraestruturas e o desenvolvimento do futebol no país. Mas parece que ninguém se lembra que num primeiro tempo é assim, mas depois começa a matar o interesse de desportistas e aficionados, estão a sentir que quem gosta de futebol não vale nada. Temos a perceção de que o jogo foi desmantelado para servir os interesses de uma elite comercial, afastando o adepto comum e sacrificando a renovação e a competitividade da própria equipa.
Quando os resultados em campo ficam aquém das expectativas, o divórcio entre o lado comercial e a essência do jogo torna-se ainda mais evidente. Se o foco passar a ser a rentabilidade e não a vitória, o futebol arrisca-se a perder a única coisa que o tornou gigante, a verdade desportiva.
Assim sendo, para ganhar um Mundial ou Europeu deve-se apostar em equipas sem celebridades. De certa forma a Espanha é isso, um conjunto homogéneo que joga à bola. Porque só agora se põe o caso, porquê eternizar, não é óbvio... o virar a página. A história do futebol não foi sempre uma sucessão de craques? Agora parou? Porquê matar a equipa que temos, se produzir resultados não voltam a facturar? A Espanha, sem problemas de celebridades, facturou ao vencer o Mundial 51,5 milhões de dólares, no mínimo da FIFA, incluindo os 1,5 milhões de dólares adicionais distribuídos pela FIFA a cada uma das 48 seleções participantes para cobrir custos operacionais e de estágio.
E a Espanha o que valorizou os seus jogadores? E as marcas o que vão ofer4ecer? E Portugal? Só o mesmo mantém o valor e o resto são figurantes? Não vamos sair desta cepa torta com a falta de coragem para decidir. Parece-me que a história ainda não acabou...
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