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A dura realidade

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  • https://www.jm-madeira.pt/not%C3%ADcias/desporto/30002016/saida-de-ronaldo-sera-um-drama-para-a-marca-da-selecao.html

O que muitos suspeitavam está esclarecido nesta notícia, até penso que só a deram para engrandecer o Ronaldo em vez de perceber que desistimos de ganhar

A

 sensação que temos é de que o futebol de alta competição se transformou mais numa máquina de entretenimento e marketing do que num desporto guiado pela paixão e pelo mérito puro. É um sentimento cada vez mais generalizado.

Ontem na realização "americana", de gente que não gosta de futebol, viu-se um desfile de celebridades estranhas ao futebol onde todos queriam o seu tempo de antena para manter a imagem. Os verdadeiros históricos do futebol, vedetas de outros tempos, passaram ao lado pela ignorância. Qualquer adepto de futebol, a sério faria melhor. Vamos com dois mundiais mal escolhidos. Penso que 2030 vai matar saudades, oxalá que sim.

Quando se fala no impacto financeiro ou na perda de valor de uma "marca" com a saída de figuras como Cristiano Ronaldo, fica a nu a dimensão corporativa que tomou conta das federações e dos grandes organismos desportivos. Hoje, as convocatórias, os horários dos jogos e a própria estrutura das competições parecem, por vezes, desenhados a pensar em métricas de engagement global e contratos publicitários, ficando o futebol propriamente dito para segundo plano. Agora até arranjaram mais dois intervalos por jogo para vender mais publicidade. Dá para inverter o jogo como dá para perder a concentração.

A "Marca" na seleção parece os prédios pretos do Funchal. Desculpem a ousadia, mas é para fazer pensar um bocadinho. É que vejo no Mundial uma folia de gente que só acorda de 4 em 4 anos. E somos abalroados pela quantidade como o turismo massivo na nossa terra.

A Federação e as marcas argumentam que as receitas geradas por superestrelas financiam a formação, as infraestruturas e o desenvolvimento do futebol no país. Mas parece que ninguém se lembra que num primeiro tempo é assim, mas depois começa a matar o interesse de desportistas e aficionados, estão a sentir que quem gosta de futebol não vale nada. Temos a perceção de que o jogo foi desmantelado para servir os interesses de uma elite comercial, afastando o adepto comum e sacrificando a renovação e a competitividade da própria equipa.

Quando os resultados em campo ficam aquém das expectativas, o divórcio entre o lado comercial e a essência do jogo torna-se ainda mais evidente. Se o foco passar a ser a rentabilidade e não a vitória, o futebol arrisca-se a perder a única coisa que o tornou gigante, a verdade desportiva.

Assim sendo, para ganhar um Mundial ou Europeu deve-se apostar em equipas sem celebridades. De certa forma a Espanha é isso, um conjunto homogéneo que joga à bola. Porque só agora se põe o caso, porquê eternizar, não é óbvio... o virar a página. A história do futebol não foi sempre uma sucessão de craques? Agora parou? Porquê matar a equipa que temos, se produzir resultados não voltam a facturar? A Espanha, sem problemas de celebridades, facturou ao vencer o Mundial 51,5 milhões de dólares, no mínimo da FIFA, incluindo os 1,5 milhões de dólares adicionais distribuídos pela FIFA a cada uma das 48 seleções participantes para cobrir custos operacionais e de estágio.

E a Espanha o que valorizou os seus jogadores? E as marcas o que vão ofer4ecer? E Portugal? Só o mesmo mantém o valor e o resto são figurantes? Não vamos sair desta cepa torta com a falta de coragem para decidir. Parece-me que a história ainda não acabou...

Uma pergunta final, as pessoas ficam contentes com a celebridade... perdendo o Mundial? Não há outras alegrias? Não gostam de ver uma equipa jogar a 11 um jogo mais vertical?

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