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Vamos aos factos. Não às opiniões. Aos factos.
A Madeira tem duas zonas balneares classificadas com má qualidade de água pela Agência Europeia do Ambiente: Poças do Gomes/ Doca do Cavacas e Quinta do Lorde. Esta última esteve mesmo interdita à prática balnear em julho de 2025, após contaminação microbiológica. Contaminação microbiológica. Num ilha que vende ao mundo a imagem de paraíso atlântico. Num ilha que recebeu 12 milhões de turistas em 2025. Num ilha onde as crianças madeirenses aprendem a nadar.
E porquê? A classificação de "Má" deve-se à presença repetida de bactérias indicadoras de contaminação fecal, Enterococos intestinais e Escherichia coli, acima dos limiares de segurança europeus durante as amostragens oficiais.
Contaminação fecal. No mar. Da Madeira.
Não é uma teoria de conspiração. São dados da Agência Europeia do Ambiente, disponíveis para qualquer cidadão consultar. Os pontos que apresentam maiores concentrações microbiológicas são precisamente os localizados no local de descarga das ETAREs, as cinco estações de tratamento de águas residuais desta ilha que, para quem ainda não sabe, não funcionam como deveriam.
A ilha tem 240 mil habitantes. Recebe 12 milhões de turistas por ano. E trata os seus resíduos com a eficácia de quem sabe que o problema fica no mar, e o mar não vota.
Perante isto, o que propõe o Governo Regional?
Mais prédios. Em altura. Para mais turistas.
É uma lógica que impressiona pela sua consistência: o problema é demasiado turismo e infraestruturas que não acompanham, — a solução é mais turismo e mais infraestruturas prometidas para amanhã.
As casas antigas apodrecem. Os solares, as quintas, os edifícios com memória e identidade que contam a história desta terra, abandonados, com janelas partidas e telhados cedidos, porque reabilitar é trabalhoso e dá menos retorno rápido do que vender mais um apartamento a um fundo de investimento que nunca visitou a ilha.
Os dados estão todos disponíveis. A Agência Europeia do Ambiente publica-os. O INE publica-os. A Associação Zero publica-os. Basta querer ler.
O problema não é a falta de informação.
É a falta de vergonha.
Fontes: Agência Europeia do Ambiente (dados 2025, publicados junho 2026); Associação Zero
Publicação relacionada: Praias "Poor" da Madeira
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