- https://www.jm-madeira.pt/not%C3%ADcias/economia/30002123/discriminacao-dos-madeirenses-em-compras-online-entre-as-preocupacoes.html
H
á algo de profundamente irónico na forma como o Governo Regional e as suas figuras políticas encenam a defesa dos consumidores madeirenses. O recente espanto e protesto contra a "discriminação nas compras online" e os bloqueios geográficos impostos por plataformas externas é o exemplo perfeito do provérbio bíblico: "coam o mosquito e engolem o camelo".
Tudo isto é tão hipócrita.
Por um lado, desdobram-se em reuniões com a Autoridade da Concorrência, discursos inflamados e notas de imprensa a denunciar que o cidadão insular não consegue encomendar uma peça de roupa ou um pequeno eletrodoméstico em condições de igualdade com o continente. Mostram-se terrivelmente indignados com os pequenos entraves do comércio eletrónico.
Foi o PSD que privatizou os CTT, que anda a prestar um péssimo serviço, e que faz os fornecedores não enviarem algumas encomendas para a Madeira para não perderem dinheiro.
Por outro lado, quando o assunto toca os monopólios e oligopólios instalados no solo da própria ilha, o tom muda radicalmente. Nesses setores estruturantes, dos transportes de mercadorias à distribuição, da construção aos combustíveis, a concorrência é varrida para debaixo do tapete.
O mercado interno Madeirense permanece blindado a uma concorrência real que pudesse baixar os preços e dar liberdade de escolha ao cidadão, salvaguardando sempre os interesses do grupo restrito de "amigos empresários" e grandes grupos económicos locais.
E então o secretário que aproveitou o momento para a fotografia é um autêntico tapete serviçal de um monopolista, dos piores a encarecer tudo na Madeira.
A verdadeira discriminação do Madeirense não começa nem acaba na recusa de envio de uma encomenda online por uma empresa estrangeira. A discriminação mais grave e sufocante acontece cá dentro, diariamente, quando o cidadão paga o custo de vida inflacionado por estruturas de mercado fechadas e hiperprotegidas pelo próprio poder político.
Ver a tutela regional e um dos partido do governo se tornar "leão" contra o bloqueio de entregas da Amazon ou da Zara, enquanto mantêm um silêncio complacente, e ativo, sobre a falta de concorrência que enriquece os monopolistas da Região, é a definição acabada de hipocrisia política.
Coa-se o mosquito das taxas de envio e do e-commerce, mas deixa-se engolir sem mastigar o camelo dos monopólios que sufocam a economia local.
Viva a hipocrisia!
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