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A sintonizar estações...

O exagero de publicidade na comunicação social

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les já não dão notícia, são revistas de variedades e o povo gosta de entretenimento, é um encontro feliz que leva os dois para a desgraça, porque uns não percebem que só serão respeitados se tiverem algo para o poder temer e outros que sendo pobres, com um governo para estrangeiros, completamente absorvidos pelo zapping e scrolling, superficiais, vão permitindo a implementação da democracia das empresas do regime que não param de dar cabo da Madeira que é uma terra insustentável.

A RTP-M e o JM estão com um exagero de publicidade que até para o entretenimento faz pessoas desistirem. 3 spots publicitários, que os temos de ver até ao fim, numa peça da RTP-M faz decidir se vale mesmo estar à espera quando se sabe que há uma larga percentagem de hipóteses de ser bajulação.

O JM com o seu novo site, parece que o fez para tirar a barriga da miséria e é uma coisa inarrável, agora é um site de publicidade que depois fornece propaganda. Para quem vai à procura de notícias, podem crer que vão perder tentativas de ir à procura neste tipo de abordagens.

A mercantilização agressiva da informação, que é na maioria propaganda e bajulação a soldo, não está apenas a esvaziar o jornalismo do seu propósito cívico, está a transformar a experiência do leitor num autêntico percurso de obstáculos digitais. Quando um órgão de comunicação social condiciona o acesso a um simples conteúdo a um bombardeamento ininterrupto de anúncios, rompe-se a relação de confiança com o público.

O resultado imediato é a alienação, as pessoas desistem porque o esforço para contornar a mancha publicitária e a propaganda é manifestamente superior ao valor da própria notícia. Em vez de formar cidadãos críticos e esclarecidos, a imprensa reduz-se a um mero suporte comercial onde a informação passa a ser um mero pretexto para vender espaço publicitário. O governo, os oligarcas seus proprietários Farinha, Sousa e Ramos, têm as suas fontes de receitas, o jornalismo que se deixou dependente deles será consumido à luz dos interesses destes e afastados da população. Os órgãos de comunicação social são a nova versão do "Madeira Livre" do passado.

Por outro lado, este modelo focado no consumo rápido e na rentabilização a todo o custo cria um círculo vicioso perigoso para a coesão social da Madeira. Ao priorizar o sensacionalismo leve e o entretenimento fútil para satisfazer os algoritmos e os patrocinadores, a comunicação social abdica do seu papel essencial de escrutínio do poder político e económico. 

Uma população permanentemente distraída pelo scrolling e pela publicidade invasiva perde a capacidade de identificar os verdadeiros problemas regionais, desde o custo de vida à insustentabilidade do modelo económico. 

Quando a imprensa escolhe ser uma vitrine de negócios em vez de um contrapoder, a democracia enfraquece e o futuro do arquipélago fica entregue às conveniências de quem pode pagar mais visibilidade.

O erro está no passado, não perguntem agora o que querem que se faça, quando se acharam espertos e foram se vendendo criaram a situação de hoje onde o poder não respeita, tiraram o valor da notícia que era o "core" e mentalizaram o povo de que não vale a pena pagar. O poder por outro lado já não tem receio da notícia e sente que tem na mão o jornalismo. Mas atenção, que o vem a seguir é ainda pior e já se fala!

Parabéns ao Madeira Opina por ter percebido isto, mas com o povinho que temos a Madeira vai bater no fundo como o jornalismo. Até a oposição cria entretenimento, o jogo do PSD.

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