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Durante a tarde, milhares de alunos e encarregados de educação deslocaram-se às escolas secundárias apenas para encontrar vitrines vazias e secretarias sem respostas concretas. Com o Governo a recusar definir uma hora limite para a publicação e a admitir que o processo se estenderia pela noite dentro, muito após o fecho dos estabelecimentos, o sentimento geral foi de profunda frustração.
Num volte-face de última hora, ao final do dia, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) informou as direções escolares de que as notas seriam enviadas a conta-gotas até perto das 19:30, mas com um detalhe crítico, muitas pautas seriam emitidas com a nota "suspenso" devido a exames cuja avaliação na plataforma digital ainda não tinha sido concluída pelos professores.
Culpa dos professores? Depois de lhes entregarem muito tarde as provas, com pedidos de última hora sem contactos escritos. Para não haver provas.
À porta das escolas, perante o clima de desconfiança gerado pelos atrasos e pelos "bugs" informáticos relatados por sindicatos e plataformas como a MetaPROF, dezenas de estudantes já assumiam aos microfones dos jornalistas a intenção de exigir formalmente a consulta digitalizada das suas provas mal as notas caíssem no sistema.
Já perto do final da noite, o Ministério da Educação veio assegurar que o calendário de acesso ao Ensino Superior se mantém inalterável e que o acesso digital individual às classificações estaria garantido na totalidade nas horas seguintes, tentando acalmar uma comunidade escolar exausta e à beira de um ataque de nervos.
Durante todo este tempo, o Ministro da Educação destratou os professores imputando-lhes culpas e defeitos e ainda hoje voltou à carga. Aflito tem postura de ameaças.
Primeiro foi a incompetência tecnológica, e o karma foi lixado, o Ministério sugeriu repetidamente que os atrasos se deveram à falta de familiaridade ou lentidão dos docentes a lidar com o novo software de correção digital, descartando qualquer falha estrutural nos servidores ou na programação da plataforma. Na verdade os itens dos exames não chegava para serem classificados.
A decorrer tanta barraca com empresa suspeita, instalações que destratam a educação e o conhecimento o Ministro falou da falta de sentido de serviço público, justamente os primeiro lesados e os únicos que o salvaram. O Governo acusou os professores corretores de falta de empenho e de não cumprirem os prazos estipulados, ignorando os alertas dos sindicatos sobre as constantes falhas de sistema que impediam os docentes de aceder às provas para as avaliar.
Depois veio a narrativa da falta de solidariedade com os alunos, nunca sucedeu de forma analógica, não iria acontecer de forma digital. A narrativa oficial tentou colar aos professores a culpa pela ansiedade e prejuízo causados aos estudantes que aguardam as notas para o acesso ao Ensino Superior, usando o impacto emocional nos jovens como arma de arremesso político.
Seguiu-se a balela do boicote silencioso. Insinuou-se que o atraso massivo na submissão das notas finais na plataforma digital configurou uma espécie de protesto ou boicote velado por parte dos avaliadores contra o novo modelo digital da tutela.
Mentiras de enxurrada.
Por fim, a intimação de fim de semana. Na tentativa desesperada de limpar a imagem e resolver o pântano burocrático, o ministro exigiu esta noite que direções e funcionários administrativos interrompam o seu descanso e regressem às escolas em pleno fim de semana. A acusação implícita é de que, se o processo não ficar fechado nas próximas horas, a culpa será da "indisponibilidade" dos profissionais em trabalhar fora do horário legal para cobrir os erros informáticos do ministério.
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