Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

Jornalismo sério

Moderação 0

P

or mais idiotices que diga, há sempre uma perspetiva positiva para abafar tudo, um jornalismo colaboracionista é essencial para imunizar ainda mais esta figurinha. Quando já vai sendo tempo de se perguntar se Albuquerque está bom do juízo, a sua avaliação parece estar sempre a aumentar pisos.

O jornalismo, sobretudo a imprensa, não subsiste na Madeira sem os dinheiros e subsídios públicos. por isso tudo se perverte na realidade. O jornalismo madeirense pratica fake-news com o copy-paste das narrativas, a sua subjugação por necessidade está a reduzir a pó a imagem pública em todos os leitores, inclusive do PSD. Pode lhes dar satisfação mas sabem que deixou de haver idoneidade.

Não há semana negativa para Albuquerque, por pior que seja a sua condição, a pobreza que alastra, o despesismo que efetua com os amigos, eventos milionários sem retorno para a Região, a decadência dos serviços públicos, sobretudo a Saúde, a habitação que parece que vai seguir a teoria dos lugares turísticos, trilhos e levadas, a água, a mobilidade, sempre longe e errado para o madeirense, mas sempre certo para estrangeiros e amigos.

Esta bolha de sobrevivência política assenta numa propaganda que transforma qualquer fracasso gritante numa vitória estratégica. Quando os dossiês com a República arrastam pés há anos e o mecanismo de continuidade territorial continua a sufocar a vida de quem aqui reside, a máquina mediática corre a pintar o Presidente como o herói messiânico que "assume a responsabilidade de desbloquear o diálogo", o indivíduo que insulta e inviabiliza tudo, mesmo quando os resultados práticos são rigorosamente nulos. É a política do adiar com vénias, se corre mal, a culpa é de Lisboa, se nada acontece, elogia-se a "coragem de tentar".

Enquanto isso, o Funchal e a Região transformam-se num autêntico parque de diversões imobiliário e financeiro. Os mesmos jornais que ignoram as listas de espera desesperantes na Saúde ou a impossibilidade de uma jovem família madeirense conseguir pagar uma renda, apressam-se a branquear a betonização da nossa paisagem. Justificam torres de 20 pisos (como ainda ontem fez o outro jornal) com o mesmo cinismo com que ignoram que, os lucros deste turismo desenfreado, evaporam-se nos bolsos dos suspeitos do costume, deixando para o residente apenas o lixo, a escassez de água e o trânsito caótico.

A idoneidade foi sacrificada pela sobrevivência económica das redações. Ao transformarem o jornalismo num mero guiché de copy-paste dos comunicados da Quinta Vigia, criaram uma realidade paralela onde o povo empobrece em silêncio e o regime celebra a "excelência" do seu próprio declínio. 

A população pode continuar a ser condescendente por hábito, mas a corda está esticada ao limite. O verniz desta imunidade fabricada já não esconde o mofo de um poder que governa de costas voltadas para a sua própria gente.

Vivemos na mentira.

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.