O PSD-M que se arma em dono da verdade
está com o mesmo problema do PSD Nacional
N
a Madeira, a política tornou-se um exercício de surdez por um lado e de berreiro por outro. Os que vendem calma porque está controlado e não são as eleições que os desbanca do tachinho, e os outros, de sangue na guelra a hostilizar tudo e todos com um grupo de fanáticos atrás. O espaço público, outrora dominado pela omnipresença de um PSD-M que controla os cordéis da administração, das empresas, da comunicação social e da narrativa, foi subitamente invadido por uma barulheira que não constrói, mas que ensurdece. Fomos todos atropelados pelo ruído do CHEGA, e o resultado é uma paralisia democrática onde o espetáculo substituiu a substância. Contudo, neta terra de festas e poncha, o ruído soa a folguedo e vamos vendo o PSD-M a desaparecer dentro dos seus controlos que estão a ficar ultrapassados.
O PSD-M, habituado a gerir a ilha como um feudo de consensos fabricados, parece agora perdido no seu próprio labirinto. Ao tentar mimetizar a agressividade da nova direita para não perder terreno, o partido que controla tudo acabou por perder o controlo do tom, muito fruto do acumular de incompetência e da força bruta do poder que verga. Estão encurralados entre a necessidade de governar e a tentação de descer ao nível do insulto fácil, tornando-se reféns de uma agenda que eles próprios não dominam.
O CHEGA não apresenta soluções, apresenta decibéis. Vivem do folclore do ódio e da interrupção constante, transformando assembleias e debates em rituais de ignorância. O PSD-M perdeu um candidato presidencial e perdeu a bandeira, está indiferente na recta final das Presidenciais, no entanto, depois do CHEGA ter vencido na Madeira, sim porque o Chega sem ventura não é nada, percebemos que este partido vai ter segunda oportunidade de apagar o PSD-M.
No entanto, a culpa não é apenas de quem grita, mas de quem permitiu que o debate público se esvaziasse de factos. Quando a transparência é negada e a prestação de contas é vista como um incómodo, abre-se a porta aos mercadores do caos. O PSD-M terraplenou a palavra, incutiu medo e agora da terra surgem os fanáticos sem qualquer reação, movidos pela fora da vitória. Deixaram de ter medo de dizer que votam CHEGA e já estão a colocar a sua camada de hostilização, violência e medo sobre a outra do PSD-M. Que coisa fantástica. O PSD-M fornece os quadros ao CHEGA e bebe do seu veneno.
Até as instituições mais sólidas da autonomia estão a ser corroídas por esta dinâmica. Enquanto se discute a última frase polémica ou o próximo vídeo viral nas redes sociais, os problemas estruturais, a habitação, a saúde e o custo de vida na ilha, continuam à espera de uma governação que não seja apenas reação. O PSD-M, ao deixar-se atropelar por este ruído, abdica da sua responsabilidade de garantir a estabilidade e a dignidade institucional. Sim, porque sempre quis estar só dizimando o resto da opinião, agora a sua não tem eco nem nos democratas.
Ser patriota e defensor da Madeira exige hoje um dever cívico de silenciar o barulho e exigir seriedade. Não podemos aceitar que a gestão pública seja substituída por uma "teatralidade" de redes sociais. Exigir competência não é clubismo; é uma necessidade de sobrevivência para a nossa democracia regional.
A Madeira merece mais do que este atropelamento mediático. Merece políticos que falem uns com os outros e não uns por cima dos outros. É tempo de recuperar o sentido do comum, de exigir orçamentos transparentes e de pôr fim a esta barulheira que só serve para esconder a incapacidade de quem governa e o vazio de quem contesta.
Quem diria que os do PSD-M, qual Trump, afinal já precisam dos outros.
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