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São Vicente: orçamento há, governação não.

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m São Vicente, o novo executivo não governa para os vicentinos. Governa para uma fação. O Presidente José Carlos Gonçalves comporta-se como presidente exclusivo do CHEGA e trata o resto da população como incómodo administrativo. Quem tenta falar com o presidente é desviado, filtrado, empurrado para vereadores que repetem o mesmo refrão: “não há verbas”. Portas fechadas, respostas vazias, desprezo institucional.

O CHEGA local é um PPD radicalizado, um PPD-0.2 feito de antigos quadros revoltados, mais agressivos na retórica e mais pobres na prática. Prometeram o céu e entregaram desculpas. Prometeram proximidade e instalaram distância. Prometeram ruptura e copiaram o pior hábito do poder: fugir às pessoas.

A contradição é pública e gritante. A Câmara aprovou um orçamento de 12 milhões e 94 mil euros para 2026 — com votos contra da oposição — enquanto diz aos cidadãos que não há dinheiro para resolver problemas básicos. Há ou não há verbas para São Vicente? Há ou não há dinheiro para salubridade, segurança e equipamentos públicos? Se há orçamento, há obrigação. Se não há execução, há fraude política.

A lixeira junto ao antigo armazém camarário continua ali, visível, nojenta, ofensiva. É o cartão-de-visita do executivo. A resposta da Câmara é a “avaliação” eterna, a “empresa responsável”, o empurrar da decisão para terceiros. Indecisão performativa. Ninguém diz quem limpa, quando limpa, com que contrato e sob que fiscalização. As crianças esperam. Os desportistas esperam. A dignidade do concelho espera.

Invocar a ARAEE não é governação; é adiamento com carimbo. Se pediram avaliação, publiquem o pedido, o âmbito, os prazos e os critérios. Transparência não é oposição. É dever. A gestão pública não é um aquário partidário nem um gabinete blindado.

Este executivo mostra-se incapaz de assumir as responsabilidades que lhe foram confiadas. Traiu o eleitorado ao prometer tudo e entregar nada. Traiu-o ao recusar diálogo. Traiu-o ao confundir propaganda com governação.

São Vicente não pode continuar algemada a um poder que fecha portas e abre desculpas. Exigimos contratos, calendários, pareceres e execução. Exigimos limpeza pública já. Exigimos uma sessão pública de esclarecimento sobre o orçamento e investimentos imediatos. 12 milhões no papel, zero na prática, é ficção política. Menos silêncio. Menos empurrões. Mais respostas. Governação real, agora.

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