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A sintonizar estações...

Descobrir na Europa que se come "shit" nos Estates.

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Devemos estar orgulhosos do trabalho feito pela Europa! 

F

ico a pensar na loucura do gordinho da Saúde, que agora trabalha na penumbra, a andar cá e lá nos Estados Unidos para copiar o modelo de privatização da Saúde. Vão privatizar tudo! Até assistência social! Curioso é que há muitos americanos a fugir das garras de Donald Trump e de um país que se esqueceu das pessoas porque vale tudo na economia, inclusive um Presidente proferir palavras que se projetam na bolsa e o beneficiam diretamente nos negócios pessoais.

Dos americanos que chegam à Europa percebe-se que há um misto de quem vem mudar de vida e de outros, tal como muitos vindos do continente americano, que fogem do que não gostam, mas que incredulamente querem recriar o seu país na Europa. Estamos em combate, o modelo social europeu e o capitalismo desenfreado americano, usando a alimentação e a saúde pública como os indicadores mais viscerais dessa fratura.

Dos americanos decentes que por cá chegam, aprecio a descoberta de alguns de que nos Estates comem "shit" e não sabem. Só aqui é que começam a comparar produtos e produções e percebem a enormidade de agressões ao corpo humano que os alimentos provocam nos Estates. Só aqui percebem a razão do problema de saúde pública que é a obesidade. Em contraponto, os Europeus redescobrem o trabalho silencioso que entidades públicas fazem por nós. Por enquanto, a Europa zela pela pessoa humana e os Estates pela economia. Cuidado com uma quantidade de seres que pretendem copiar modelos americanos na Europa e que resultará na mesma chafurdice agiota e mercantil. Cuidado com os movimentos políticos que são os difusores da mentalidade americana.

É bom o primeiro choque cultural do americano que aterra na Europa com os olhos abertos. Não é apenas uma questão de paladar, é uma questão de soberania do corpo. Nos Estados Unidos, a lógica do lucro máximo permitiu que a indústria alimentar se transformasse num laboratório de aditivos, açúcares e hormonas que, na Europa, são proibidos ou estritamente regulados.

Enquanto a mentalidade americana vê na regulação um "entrave ao negócio" (basta ver Trump enfurecido), o europeu consciente percebe-a como um serviço público de proteção. A obesidade nos EUA não é um acidente, é o resultado de uma economia que subsidia o milho (xarope de frutose) e castiga o produto fresco.

O americano "decente" que chega cá e descobre o sabor de um tomate ou a pureza de um pão sem conservantes químicos, percebe que foi enganado a vida toda. Ele percebe que o seu país de origem trata o cidadão como uma unidade de consumo descartável, enquanto a Europa, apesar das suas falhas, ainda tenta zelar pela dignidade da pessoa humana.

A nossa forma de estar, na Madeira, em Portugal e na Europa, assenta no respeito pelo equilíbrio. O mercado deve servir as pessoas, e não o contrário. Copiar os "Estates" é importar a doença e a desigualdade. Devemos valorizar o trabalho silencioso de quem garante que o que pomos na mesa é alimento e não veneno. Não devemos permitir que governos interesseiros sabotem a Europa. Temos mais "Órbans" por cá, sim, no Governo Regional.

A autonomia não é apenas política, é também cultural e biológica. Defender o que é nosso é recusar ser alimentado pelo "shit" que o lucro desenfreado produz.

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