Não estamos a vigiar as doenças da imigração
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Fui de um tempo que se levou a sério a Tuberculose, da BCG no Campo da Barca, e agora observo um excesso de confiança típico da ignorância.
Historicamente, a Madeira foi um destino de eleição para o tratamento de doenças respiratórias devido ao seu clima suave, atraindo sanatórios e doentes em busca de cura. No entanto, a Tuberculose nunca foi erradicada; é uma doença bacteriana (causada pelo Mycobacterium tuberculosis) que se transmite por via aérea e que exige uma vigilância constante.
Recentemente, os dados indicam uma subida na incidência. Embora as autoridades de saúde pública sublinhem que os números não devem causar "alarme social", o aumento é um sinal de alerta para a eficácia das redes de rastreio e para a necessidade de manter o Plano Regional de Vacinação e o controlo de contactos em níveis rigorosos.
O aumento do fluxo migratório e do turismo traz novos desafios aos sistemas de saúde. Pessoas provenientes de regiões onde a vacinação não é universal ou onde existem estirpes mais resistentes podem introduzir a bactéria em novas comunidades. Isto exige que os serviços de saúde estejam preparados para integrar e rastrear quem chega, sem comprometer a segurança coletiva.
A Tuberculose é muitas vezes descrita como uma "doença social". Fatores como a pobreza, a toxicodependência, o sistema imunitário fragilizado e as condições de habitação precária são terrenos férteis para a sua propagação.
A Madeira tem fobia de realidade, vive na sua bolha de superlativos, mas há gente lúcida. Existe frequentemente uma tensão entre os dados técnicos e a perceção da população. Quando o Governo desvaloriza um aumento de casos, pode gerar-se um sentimento de desconfiança, especialmente quando figuras da sociedade civil.
A saúde pública não depende apenas de antibióticos, depende da transparência das instituições e da capacidade de resposta perante novos cenários demográficos. A democracia, tal como a saúde, exige uma vigilância ativa. Se os mecanismos de controlo (sejam eles vacinais ou éticos) falham, o risco de retrocesso é real.
Sabemos como anda o Nélio Mendonça nas urgências, não é terreno fértil para a Tuberculose. Eu acho que sim.
A Tuberculose na Madeira não pode ir na onda de desvalorização de Albuquerque, foi assim que a droga se descontrolou, requer uma abordagem que combine o rigor clínico com a sensibilidade social. É fundamental reforçar o rastreio precoce em grupos de risco e novos residentes, mas da maneira como É preciso garantir que o Plano de Vacinação é cumprido com rigor aos de cá, mas sobretudo os que são imigrantes ou que fixam residência.
Precisamos de um discurso político transparente que não minimize os números, mas que apresente soluções concretas para travar o contágio. O clima da Madeira pode ter ajudado à cura no passado, mas hoje é a eficácia do sistema de saúde e a estabilidade social que determinam o controlo das doenças.
- https://madeira.rtp.pt/sociedade/casos-de-tuberculose-aumentam-na-madeira-mas-continuam-sem-causar-alarme-audio/
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