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Neste início de março de 2026, apesar das fraquezas do Irão o tabuleiro do xadrez de guerra estão a trazer surpresas. A situação está literalmente explosiva e à mercê da vaidade política, erro de cálculo estratégico e uma mudança de paradigma nas alianças globais promovidas por Donald Trump.
Donald Trump sempre se orgulhou de ser o "mestre do negócio", mas a guerra não é um mercado imobiliário. Ao ceder às pressões mais radicais de Telavive e ao acreditar que a sua retórica de "força máxima" bastaria para paralisar o Irão, Trump mergulhou os EUA num caos regional que ele próprio despoletou ao romper canais diplomáticos que ainda funcionavam. Nos Estados Unidos, muita gente começou a ficar apreensiva, até parte dos MAGA. Estará este homem bom da cabeça? O narcisismo e ego com poder não dá certo, ao ponto de um dos seus seguidores, Hegseth (Secretário de Defesa dos EUA, ex apresentador de televisão), dizer que o Pentágono é Woke, querem mais fogo e até gozam com vídeos disparatados, divertem-se com a guerra.
A vaidade de Trump foi alimentada pela ideia de uma "guerra rápida" e cirúrgica. No entanto, o Irão respondeu com o que sabe fazer melhor, assimetria. Ao envolver países como o Kuwait, Catar, Azerbaijão e até atingir indiretamente o Chipre e o Dubai, Teerão estilhaçou a ilusão de que este seria um conflito contido. Trump parece não dominar a faceta mais perigosa da guerra moderna, o facto de que, uma vez aberta a caixa de Pandora, o agressor perde o controlo sobre o fim do conflito. Trump que falou em dias, depois passou para 4 semanas e agora menciona 6 meses de guerra. Este mesmo Trump disse que a guerra está a ser paga com o petróleo da Venezuela, no entanto, o custo vai chegar a todos, principalmente da pobres e remediados para os ricos andarem a fazer fortunas com o dinheiro dos outros.
Não há maior prova da falta de "cards" (cartas na manga) de Trump do que o pedido de ajuda à Ucrânia. Depois de meses a pressionar Zelensky para "chegar a um acordo" com Putin, os EUA veem-se agora obrigados a pedir a expertise ucraniana para combater os enxames de drones iranianos (Shahed). Nunca vi ironia tão grande. E lá vão os ucranianos ajudar os países do Médio Oriente.
A Ucrânia, que sobreviveu a milhares destes ataques, detém hoje o conhecimento técnico que o Pentágono subestimou. Ver a maior potência militar do mundo a pedir "instruções" a Kiev para proteger as suas bases no Médio Oriente é um golpe profundo no prestígio americano e na narrativa isolacionista de Trump.
Durante décadas, criticou-se a Europa por não investir na NATO e por "viver à sombra" do Artigo 5º (que só os europeus honraram após o 11 de Setembro). Agora, perante o abandono diplomático de Washington, os europeus estão a fazer o que Trump nunca previu: estão a organizar-se sozinhos e a enviar ajuda aos países que ficaram envolvidos por esta guerra que se alastrou
Países como Portugal, França e Alemanha, através do Mecanismo de Proteção Civil e de parcerias com a Turquia e Chipre, estão a criar um cordão sanitário para tentar estabilizar o Mediterrâneo Oriental. É a Europa a tentar limpar a "sujeira" estratégica de uma administração americana que incendiou a região e depois percebeu que não tinha extintores suficientes.
O ponto mais crítico é o que ainda não aconteceu, mas que todos os serviços de inteligência temem. Ao exportar o caos para o Golfo e atacar diretamente infraestruturas iranianas, Trump abriu a porta para a retaliação não-convencional. O Irão e os seus aliados não precisam de mísseis balísticos para atingir Nova Iorque ou Miami, precisam apenas de células adormecidas e de radicalização alimentada pelo sentimento de invasão. O risco de terrorismo em solo americano em 2026 é maior do que em qualquer momento desde a década de 2000, e a "segurança interna" que Trump prometeu pode tornar-se o seu maior fracasso.
Trump, com o seu narcisismo e vaidade, acreditou que podia redesenhar o Médio Oriente com um post e alguns mísseis. O que encontrou foi uma rede complexa de interesses que ele não compreende totalmente. Enquanto a Europa tenta salvar o que resta da estabilidade ocidental, o mundo assiste a um líder que, por excesso de ego, pode ter assinado o fim da hegemonia americana na região.
Trump está cada vez mais parecido com o seu amigo Putin e vai ter a sua Ucrânia com o Irão, querem ver que sim... No Irão não há partidos nem uma sociedade organizada ou armada. Trump ainda vai ter que por "boots on the ground"? A América ainda implode primeiro com a Opinião Pública.
Tenho pena que os madeirenses não percebam o que é livre opinião e opinião pública para a situação que vivem.
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