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Felizmente há quem fale e tem autoridade, tiro o chapéu ao Raimundo Quintal.
Basicamente a Festa da Flor é um gigante com pés de barro, cresceu sem sustentabilidade porque o Governo apoia betão e não a natureza. Como se não bastasse os nossos jardins perdem-se.
Diz o povo, com a sabedoria que lhe é nata, que "quem muito abrange, pouco aperta". Pois bem, a nossa Festa da Flor, outrora a jóia da coroa do nosso cartaz turístico, parece ter caído na tentação perigosa de querer ser maior do que a própria terra que a viu nascer. O recente grito de alerta de Raimundo Quintal não é apenas o desabafo de um especialista, é o eco do que muitos de nós sentimos ao caminhar pela Avenida Arriaga. Onde me incluo!
Estamos a assistir a um fenómeno estranho, temos mais dias de festa, mais figurantes e dois cortejos, mas onde estão as nossas flores? É triste, para não dizer vergonhoso, saber que a "esmagadora maioria" do que desfila e enfeita a nossa cidade vem em caixotes de aviões da Holanda ou da Bélgica. Passámos de uma festa da Madeira para uma festa feita na Madeira com o que vem de fora. Parece as "Brisas" de xarope...
Onde está a nossa identidade?
Antigamente, a Festa da Flor cheirava a Madeira. Cheirava ao suor de quem cultivava, ao orgulho de mostrar o que a nossa terra, com o seu microclima único, conseguia parir. Hoje, o que vemos é uma estética "instagramável", feita para o turista ver de raspão, mas que carece de alma. Esticaram o cartaz até ao limite, transformando o que deveria ser um momento de exaltação botânica num "flop" comercial, onde as bancas de flores importadas competem com o barulho das barracas de comes e bebes, o mais importante! Sem fatura.
Como bem disse o Prof. Quintal, se não há flores para um cortejo digno, para quê inventar dois? Para encher hotéis? O turista não é parvo. Se ele quiser ver flores padrão europeu, fica em casa. Ele vem cá pela autenticidade. Se lhe damos flores de plástico ou importadas, estamos a vender-lhe uma mentira com pernas curtas.
Um apelo ao bom senso.
Não podemos deixar que a Festa da Flor se torne um desfile de vaidades e de números estatísticos. Precisamos de voltar aos quintais, de valorizar as nossas espécies endémicas e, acima de tudo, de ter a humildade de perceber que a qualidade bate sempre a quantidade.
As alterações climáticas vieram depois do desleixo, e agora com a ajuda deste Secretário perdido, vamos marcar passo como cada inoperacionalidade sem plano B, sem plano de contingência. Meu Deus!
Se continuarmos neste caminho de "esticar o chiclete" (olha a "elasticidade" do Jesus) até ele romper, a Festa da Flor morrerá por dentro. Ficará o nome, ficarão os figurantes, mas a essência, aquela que nos fazia sentir orgulho ao ver passar um carro alegórico, essa, já terá murchado há muito.
Está na hora de decidir, queremos uma festa que celebra a nossa terra, ou um parque de diversões descartável para turista ver? Isto começa em usar o PRR no que interessa e não em gandulos de empresas na hora, é apoiar o que é a nossa identidade e não construção sem fim. Vivemos uma era miserável, mas quantos sabem disso?
Quem "censura" as flores importadas?
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