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A sintonizar estações...

A alarmante quantidade de escusas de médicos e enfermeiros no hospital.

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 mecanismo da escusa de responsabilidade, seja ela médica ou de enfermagem, é um dos sintomas mais graves e silenciosos da rutura de um serviço de saúde. Quando 65 enfermeiros da Medicina Intensiva do Hospital Dr. Nélio Mendonça chegam ao ponto de acionar este instrumento, não estamos perante uma mera burocracia ou um protesto político; estamos perante um grave alerta no limite da sobrevivência profissional e da segurança dos doentes.

Ao contrário do que a tutela muitas vezes tenta passar, a escusa não é uma greve nem uma recusa em trabalhar. É precisamente o oposto, o profissional está lá, assume o turno, mas declara formalmente que as condições humanas e materiais no terreno anulam os padrões mínimos de segurança.

A escusa funciona como uma blindagem jurídica individual perante a inércia e incompetência política. Sim, para mim significa incompetência, porque há dinheiro para campos de golfe e não para o essencial. Se a Ordem dos Enfermeiros estipula um rácio seguro de doentes por profissional numa unidade crítica como os Cuidados Intensivos, e esse rácio é sistematicamente ultrapassado devido à falta de pessoal e à exaustão por turnos duplos, o risco de erro clínico dispara.

Se ocorrer um evento adverso grave ou uma falha fatal num turno sobrecarregado, a escusa serve de prova legal de que o profissional avisou antecipadamente a administração de que era humanamente impossível garantir a segurança e salvaguarda de bom atendimento em tempo útil.

A recusa é um ato de cidadania e deontologia, é a última ferramenta que resta para documentar institucionalmente o perigo. Se a situação é estrutural, a reiteração diária (turno a turno) torna-se obrigatória para manter a proteção ativa.

O grande drama das escusas é a forma como o poder político e as administrações hospitalares as tratam, como "papéis que entram para uma gaveta". Como a entrega da escusa não implica o abandono do posto de trabalho, os profissionais continuam a dar o seu melhor, mesmo exaustos, o sistema vai-se alimentando dessa resiliência forçada. A tutela borrifa-se porque, no papel do fecho do dia, o turno foi assegurado.

É assim que o perigo invisível surge, o colapso por exaustão não avisa. Quando os rácios falham, o tempo de resposta aumenta. Na Medicina Intensiva ou na Urgência, escassos minutos de atraso na assistência a uma aflição extrema diferenciam a vida da morte, uma realidade trágica que tem escalado a nível nacional. Por cá é um tabu, deve ser proibido pelos mesmos incompetentes, mas lendo isto irão inventar um prisma de uma estatísticas para sair nos "jornais oficiais" da propaganda.

Ignorar a quantidade alarmante de escusas na Madeira é fechar os olhos ao facto de que os profissionais estão a trabalhar num regime de "roleta russa" jurídica e clínica, onde quem paga o preço final é o cidadão que precisa de socorro a tempo e horas.

Que nenhum político ou família dos governantes do desígnio do golfe não precisem urgentemente de um enfermeiro ou médico e estão em último na roleta russa. Às vezes não dá tempo para meter cunha e em vez de entrar pela morgue sai-se dela na horizontal. Quem foi que meteu a incompetente da Segurança Social na Saúde?

É hora de fazer um congresso na Madeira para aplaudir de pé a Secretária.

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