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Ao contrário do que a tutela muitas vezes tenta passar, a escusa não é uma greve nem uma recusa em trabalhar. É precisamente o oposto, o profissional está lá, assume o turno, mas declara formalmente que as condições humanas e materiais no terreno anulam os padrões mínimos de segurança.
A escusa funciona como uma blindagem jurídica individual perante a inércia e incompetência política. Sim, para mim significa incompetência, porque há dinheiro para campos de golfe e não para o essencial. Se a Ordem dos Enfermeiros estipula um rácio seguro de doentes por profissional numa unidade crítica como os Cuidados Intensivos, e esse rácio é sistematicamente ultrapassado devido à falta de pessoal e à exaustão por turnos duplos, o risco de erro clínico dispara.
Se ocorrer um evento adverso grave ou uma falha fatal num turno sobrecarregado, a escusa serve de prova legal de que o profissional avisou antecipadamente a administração de que era humanamente impossível garantir a segurança e salvaguarda de bom atendimento em tempo útil.
A recusa é um ato de cidadania e deontologia, é a última ferramenta que resta para documentar institucionalmente o perigo. Se a situação é estrutural, a reiteração diária (turno a turno) torna-se obrigatória para manter a proteção ativa.
O grande drama das escusas é a forma como o poder político e as administrações hospitalares as tratam, como "papéis que entram para uma gaveta". Como a entrega da escusa não implica o abandono do posto de trabalho, os profissionais continuam a dar o seu melhor, mesmo exaustos, o sistema vai-se alimentando dessa resiliência forçada. A tutela borrifa-se porque, no papel do fecho do dia, o turno foi assegurado.
É assim que o perigo invisível surge, o colapso por exaustão não avisa. Quando os rácios falham, o tempo de resposta aumenta. Na Medicina Intensiva ou na Urgência, escassos minutos de atraso na assistência a uma aflição extrema diferenciam a vida da morte, uma realidade trágica que tem escalado a nível nacional. Por cá é um tabu, deve ser proibido pelos mesmos incompetentes, mas lendo isto irão inventar um prisma de uma estatísticas para sair nos "jornais oficiais" da propaganda.
Ignorar a quantidade alarmante de escusas na Madeira é fechar os olhos ao facto de que os profissionais estão a trabalhar num regime de "roleta russa" jurídica e clínica, onde quem paga o preço final é o cidadão que precisa de socorro a tempo e horas.
Que nenhum político ou família dos governantes do desígnio do golfe não precisem urgentemente de um enfermeiro ou médico e estão em último na roleta russa. Às vezes não dá tempo para meter cunha e em vez de entrar pela morgue sai-se dela na horizontal. Quem foi que meteu a incompetente da Segurança Social na Saúde?
É hora de fazer um congresso na Madeira para aplaudir de pé a Secretária.
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