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GR: os maus exemplos das cúpulas chegam às chefias intermédias.

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A

s cúpulas acusadas permitiram que o exemplo de propagasse, agora só podem estar caladas e assistir, é a derrocada da ética na Função Pública, as chefias intermedias começam a ter os seus casos e os superiores hierárquicos só podem estar calados para não sair umas bocas bem metidas.

Um diretor de serviços da administração pública regional da Madeira condenado pelo crime de abuso de poder a continuar calmamente no seu posto de chefia, ilustra com perfeição como a podridão ética é altamente contagiosa. Quando os exemplos vindos das mais altas cúpulas do poder político regional são pautados por buscas judiciais, suspeitas graves e uma total ausência de vergonha ou demissões, a mensagem enviada para toda a estrutura é "cristalina", a impunidade é a regra do jogo. O mau exemplo das cúpulas propagou-se de forma inevitável para as chefias intermédias, minando qualquer réstia de integridade institucional.

O ambiente só vai piorar.

Neste cenário de terra sem lei, os governantes que habitam no topo da pirâmide estão agora condenados ao silêncio cúmplice, o que podem fazer? Ser exemplo? Ter autoridade? Tomar decisões? Seriam logo chacinados na imagem pública. Como poderiam estas cúpulas acusadas exigir idoneidade, instaurar processos disciplinares céleres ou afastar um diretor condenado pelo tribunal se eles próprios se agarram ao poder com unhas e dentes perante o escrutínio da Justiça? Só lhes resta calar e assistir de braços cruzados, desconversar, viajar, reféns da sua própria falta de autoridade moral, enquanto assistem à total banalização do crime e do desleixo no coração da máquina pública.

O que a renovação de comissões de serviço e a eterna "avaliação interna" de dirigentes condenados provam é a completa derrocada da ética na Função Pública regional. Com jeito o homem ainda leva a melhor classificação do SIADAP, gostamos de ridículos. Quantos que trabalham para o partido com emprego na Função Pública recebem esse tal de SIADAP sem ir ao trabalho, há um historial deles. Meus senhores, alguns tiraram curso superior em Lisboa recebendo como se estivessem cá, outro grande historial que ninguém investiga. E os que viajam em trabalho e na verdade estão em cruzeiro sem consumir tempo de férias. A comunicação social é subsidiada para ser cega.

Onde devia imperar o brio, o respeito pelo contribuinte e a exclusividade de funções, assiste-se a uma autêntica feira de compadrio e rabos de palha encobertos, uns dos outros, e isso permite atrevimentos cada vez piores, vale tudo desde que se mantenha a lealdade ao regime. Quando o próprio Estado na Madeira passa a abrigar e a normalizar criminosos com carimbo judicial em postos de comando, o cidadão comum percebe que a máquina já não serve o interesse coletivo, mas sim uma rede de proteção mútua para manter os privilégios intactos.

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