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Convencidos de que eram mais espertos do que todos os animais da floresta, uniram forças para espalhar desconfiança, boatos e conflitos. Onde havia entendimento, criavam discórdia. Onde havia amizade, semeavam suspeitas. Enquanto discursavam sobre honestidade e serviço à comunidade, iam acumulando favores, privilégios e pequenos roubos que julgavam nunca virem a ser descobertos. Aos seus próprios olhos eram santos; aos olhos de quem os observava de perto, não passavam de ladrões mascarados de benfeitores.
Durante algum tempo conseguiram enganar muitos animais. Contudo, aqueles que tinham sido vítimas das suas manobras começaram a conversar entre si. O coelho contou o que lhe tinham tirado. A lontra revelou uma mentira que ouvira. O veado mostrou provas de uma falcatrua antiga. E, pouco a pouco, aquilo que pareciam casos isolados transformou-se num enorme retrato de intrigas, traições e esquemas cuidadosamente montados pela dupla que se julgava intocável.
Quando toda a verdade veio ao de cima, os animais da floresta fizeram algo que a raposa e o texugo jamais imaginaram: uniram-se. Sem gritos nem violência, afastaram-nos de todas as responsabilidades e recusaram continuar a ser enganados. A velha bandeira azul permaneceu na colina, mas já sem espaço para aqueles dois oportunistas. E a raposa e o texugo, que durante anos haviam vivido de truques e manipulações, acabaram limpos pela força da verdade e pela união daqueles que tinham sido vítimas dos seus esquemas. Nunca mais voltaram a erguer a cabeça como antes, porque toda a floresta passou a conhecer aquilo que realmente eram.
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