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Foi avisado que a Madeira seria cada vez mais violenta.

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Esta realidade só vai deixar de ser desvalorizada quando chegar às famílias do poder e das elites. Perdemos tranquilidade e qualidade de vida, mas ganhamos cada vez mais custo de vida.

A

 tranquilidade que outrora definia a Madeira parece estar a dar lugar a uma realidade muito mais cinzenta e violenta. Mudou depois da Covid, paralelamente a novidade do turismo massivo de low cost, estrangeiros a residir e imigração de baixo custo. A população local também não está bem, está revoltada.

Os acontecimentos trágicos ocorridos no mesmo dia, o homicídio à facada de um homem em Câmara de Lobos e a morte de uma mulher de 66 anos em Santana na sequência de um confronto, são mais do que meros incidentes isolados, são o reflexo visível de uma panela de pressão social que está prestes a rebentar.

Desvalorizar e negar é fazer crescer o problema, sobretudo por Governantes obcecados e cegos.

O que estamos a viver na Madeira não é um processo de integração natural ou progressivo. Misturaram-se culturas de forma abrupta, sem planeamento e sem tempo para que as comunidades se adaptem. Para muitos locais, a sensação diária não é de multiculturalismo enriquecedor, mas sim de uma agressão. Tudo anda ao ritmo dos de fora, e os daqui não estão bem.

Muitos madeirenses sentem que aqueles que chegam agora não procuram integrar-se, mas antes impor uma nova ordem, novos hábitos e novas dinâmicas na terra que sempre foi nossa. Já passamos isso com os "miras" e o pavio está mais curto. O sentimento de descaracterização é real, as pessoas olham à volta e já não reconhecem os seus bairros, as suas dinâmicas comunitárias ou a pacatez tradicional da ilha. É a gentrificação. Jogos de expulsão de quem arrenda, aprovação de expulsões mais rápidas, uma terra que despreza o conhecimento dos seus e faz emigrar, o conhecimento é lixo, vale a cunha.

Enquanto a população lida com este choque cultural e social, a perceção pública em relação ao Governo Regional é de um abandono total. Cresce o sentimento de revolta e desconfiança face a um executivo que parece governar de costas voltadas para os locais.

A narrativa oficial foca-se constantemente em "justificações em nome dos madeirenses" para validar gastos avultados, infraestruturas e apoios que, na verdade, parecem beneficiar sobretudo os investidores estrangeiros, os nómadas digitais e o turismo de luxo através dos negócios dos amigos. Os madeirenses sentem-se secundarizados na sua própria pátria, reduzidos a figurantes de um cenário montado para quem vem de fora e tem poder de compra.

A violência não sobe por acaso, ela alimenta-se do desespero e da revolta. A conjuntura atual sufoca a classe média e os mais desfavorecidos. Os preços da habitação e dos bens essenciais atingiram valores incomportáveis para os salários locais. Há uma geração inteira sem futuro na ilha, que se vê obrigada a emigrar ou a viver endividada. O contraste diário entre a ostentação do turismo/investimento imobiliário e a precariedade das famílias locais gera uma enorme sensação de injustiça social.

Assim vai a população se "enchendo" e num impulso instintivo surge a potencia acumulada.

Sem respostas estruturais para a crise na habitação e para a perda de poder de compra, as pessoas sentem-se amarradas, sem saída e profundamente irritadas. A degradação do tecido social e o aumento da criminalidade violenta são as consequências diretas de uma população que foi levada ao seu limite. Se o rumo político e social não mudar drasticamente, o rastilho continuará aceso.

No espaço de Opinião do Madeira Opina vaticinaram o aumento da violência, ela aí está. Quero vaticinar outra situação, a perda de contenção é lenta, mas depois de implodir é imparável. As elites, famílias do poder, aqueles que sorriem sempre com uma vida sem empecilhos e cheias de prioridades serão o próximo alvo das pessoas irritadas em atos irrefletidos. Isto está nos livro. É um passo na queda das ditaduras. Comecem a pensar no que vão dizer, é por aí que a paciência implode, vão pensar que são intocáveis e de repente percebem a fragilidade da sua situação, extinta em dois tempos.

A violência vai aumentar porque ninguém pára e muda. Há imigração com outros instintos de Justiça, há ricos que se acham donos, há um Governo que trai os eleitores e os nossos jovens estão diferentes.

Nota: quero dar ao Madeira Opina por trazer a vida real aos madeirenses, mete-me nojo tanta gente a escrever artigos de opinião nos jornais que não servem para nada, só dizer que estão vivos no regime com banalidades.

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