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Mas também é legítimo fazer uma pergunta simples, com um toque de humor:
Se essa era uma visão tão importante para o futuro da Madeira, porque é que não foi concretizada durante os muitos anos em que Miguel Albuquerque presidiu à Câmara Municipal do Funchal? Quantos edifícios com mais de 20 andares foram construídos nesse período?
É uma curiosidade histórica, não uma provocação.
Imagino que alguns entusiastas do urbanismo já estejam a afiar os lápis, a abrir os programas de desenho e a preparar maquetes dignas de Hollywood. Ainda falta o primeiro risco no papel e já há quem esteja a escolher a cor das cortinas do 23.º andar.
Mas convém lembrar uma velha máxima da política.
Entre uma ideia lançada num microfone e um projeto que chega ao terreno vai uma distância maior do que subir vinte andares pelas escadas.
E um conselho bem-humorado aos seguidores mais fervorosos. Mantenham o capacete apertado e não corram mais depressa do que o elevador.
Na política, quem hoje aplaude com mais entusiasmo pode descobrir amanhã que o espetáculo acabou e que as luzes se apagaram precisamente sobre o lugar onde estava sentado.
No fim do dia, discutir o modelo de desenvolvimento da Madeira é importante. Mas discutir também a coerência entre o que se fez ontem e o que se propõe hoje talvez seja ainda mais importante.
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