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Passados quatro anos, a pergunta impõe-se, onde está esse projeto?
Mais do que uma apresentação pública ou iniciativas pontuais, esperava-se uma verdadeira estratégia regional, capaz de integrar o bandolim na oferta turística e cultural da Madeira. Era essa a expectativa criada quando foram anunciados apoios públicos e objetivos ambiciosos.
Mas a Rota do Bandolim é apenas o reflexo de um problema maior: o estado do movimento bandolinístico madeirense.
A Madeira possui uma das mais ricas tradições de bandolim do mundo. Existem orquestras centenárias, centenas de executantes e um património musical construído ao longo de gerações. O bandolim é, muito provavelmente, o instrumento com maior implantação na Região. Este património pertence à Madeira, não a uma única instituição.
É precisamente por isso que importa questionar se a Associação de Bandolins da Madeira está hoje a cumprir plenamente a missão para que foi criada: congregar, apoiar e desenvolver todas as tunas e orquestras da Região.
Os encontros entre orquestras continuam a acontecer, mas são, na maioria dos casos, promovidos pelas próprias orquestras. A cooperação existe graças ao esforço dos seus dirigentes e músicos. Falta uma estratégia consistente de formação contínua, partilha de recursos e dinamização do movimento como um todo.
É justo reconhecer o mérito da ABM na organização de concertos, festivais e projetos internacionais. Contudo, uma associação desta natureza deve ser avaliada também pela capacidade de fortalecer todo o movimento bandolinístico e não apenas pelos projetos que promove diretamente.
Esta reflexão estende-se igualmente ao Governo Regional. Anunciar projetos e atribuir apoios públicos é importante, mas é igualmente importante avaliar os resultados alcançados. O património cultural exige visão, continuidade e capacidade de criar impacto duradouro.
Hoje, mais do que nunca, é necessário pensar o bandolim de forma global. O futuro deste património não depende apenas de grandes espetáculos. Depende da renovação geracional, do apoio às orquestras locais, da formação de novos músicos, da cooperação entre agrupamentos e da construção de uma verdadeira estratégia regional.
O bandolim madeirense merece mais.
Merece uma visão que una todas as orquestras, todas as instituições e todos os músicos em torno de um objetivo comum: preservar e fortalecer aquele que é um dos maiores símbolos culturais da Madeira.
Porque o verdadeiro sucesso não será medido pelo número de concertos realizados ou pelas notícias publicadas, mas pela vitalidade das nossas orquestras e pela capacidade de garantir que esta tradição continua viva nas próximas gerações.
Está na hora de deixar de pensar em projetos isolados e começar a pensar o Bandolim Madeirense como um todo.
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