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A discussão política ficou para a História. Mas a História, por vezes, gosta de responder com uma ironia muito própria. Porque há uma presença que Miguel Albuquerque nunca conseguiu retirar da sua vida institucional: todas as manhãs, todas as semanas, todos os anos, ao entrar ou sair da Quinta Vigia, residência oficial do Presidente do Governo Regional, continua a ter como vizinho um dos lugares mais emblemáticos do Funchal: o Parque de Santa Catarina. A santa saiu do aeroporto, mas ficou à porta de casa.
Pode parecer apenas uma coincidência. Os crentes talvez lhe chamem outra coisa. Há quem diga que os santos não disputam lugares nem precisam de placas para permanecer presentes. Esperam. E, de algum modo, acabam sempre por recordar aos homens que há nomes que pertencem à História, à fé e à memória coletiva.
Miguel Albuquerque pôde retirar Santa Catarina do aeroporto, mas não conseguiu afastá-la do seu quotidiano. Todos os dias, a poucos metros da residência oficial do Presidente do Governo, continua a existir um parque que recorda exatamente o nome que um dia deixou de constar da principal porta de entrada da Madeira.
Há uma espécie de justiça poética nesta coincidência. Quase como se a História dissesse, em silêncio, que certas presenças não desaparecem por decreto. Os homens mudam placas, os governos mudam designações, mas há nomes cuja permanência não depende da política. Para quem acredita, talvez não seja apenas uma coincidência. Talvez seja apenas a forma discreta como Deus recorda aos homens que a última palavra nem sempre pertence ao poder. Porque, no fim, há uma verdade que os decretos dificilmente conseguem contrariar: o que é da Santa… acaba sempre por permanecer com a Santa.
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