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O Ronaldo parece o PSD-M.

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Estátua de Cristiano Ronaldo, em Times Square, inaugurada por altura do seu 40º aniversário/ 2025.

O

 que o Madeira Opina tem de melhor é podermos dizer a verdade, sem gente a marcar-te, sem ter de escrever como não queres. Isso acontece muito hoje em dia para seres politicamente correto e aceite pelas massas. Um bando de falsos, moluscos. Há muita gente que acha a mentira mais simpática e de interesse. Sem verdade nada evolui e a nossa terra, socialmente, é um "exemplo".

Depois da derrota de Portugal fui-me deitar e acordei à hora que vos escrevo. Não estou contagiado pelas opiniões dos outros e vou dar a minha, o que refleti. Com verdade. Acho que podíamos ir longe, por termos jogadores para isso, e acabámos por engolir em seco a boca do jornalista inglês: a de jogarmos com uma estátua. Sósia da que tem partes polidas no Cais Norte do Porto do Funchal.

Mas tudo isto está errado, e a culpa não é só do treinador, é de todos, porque parece que muitos não querem deixar de ser alguém através da celebridade do Ronaldo. O Ronaldo parece o PSD, está tudo errado, mas tem de prosseguir assim, porque silenciosamente muitos têm algo a perder com tantos anos de influência.

O problema é que um Ronaldo tempo demais mata outros, que poderiam nascer, vingar e perdurar a glória do país, porque afinal também têm qualidades. O Ronaldo é como Jardim, que não soube sair e queimou delfins que eram da sua equipa. É como o PSD no poder, que contagiou a comunidade com dependências. Acho que todos querem ganhar, mas com Ronaldo, porque desfrutam da vaidade da celebridade, gostam de ser o centro do mundo, mas o mundo prossegue à parte.

Ronaldo é filho da terra, que tem um PSD há 50 anos a secar tudo à volta e de só poder ser de uma maneira, porque as pessoas convenceram-se disso com o tempo e habituaram-se ao sistema. O mérito afinal é a melhor cunha, sem racionalidade, mas com muita emoção. É só pensar que os outros ganham mesmo sem ter Ronaldo e seguem em frente. Há outras fórmulas de sucesso e a maioria só quer uma para Portugal.

E se nós temos outros Ronaldos e não queremos saber nem usar? Não Ronaldos de duas décadas, mas do momento, o suficiente para ganhar, para depois aparecer outro e voltarmos a ganhar, e mais outro. Existe a inspiração do momento, gente que rende até sem permanecer e que até marca golos como suplente. Olá Gonçalo Ramos, nem uma, nem duas, nem três vezes safaste; hoje nem oportunidade, mesmo sendo do PSD a caminho do Milão. Gonçalo Guedes ainda menos, será que a Real Sociedad não vende tanto? E o momento de cada um? E o Trincão, não é bom para a seleção e como pode ser se nem tem oportunidade para jogar?

A culpa é do treinador? Talvez, mas não sabemos se está condicionado na base de um jogador fixo, para não ter o "futuro" do treinador anterior, Fernando Santos. Isto parece de novo o PSD, como condiciona tudo e todos ao capricho de alguns; depois todos se acostumam e até acham que retiram "lucro" disso. Só mesmo indo à parede para mudar. E fomos. E muda ou agora começa o stress do "filho" de laboratório?

Vamos perder até não haver qualquer lucro? Vaidade ou celebridade? É que talvez, como já dizem, prefiram a celebridade porque é imediatamente um ganho, em vez de tentar ser campeões do mundo. Assim nunca daremos um passo em frente. Eu passo-me com as conversas assentes em gratidão, como se não houvesse, como se não houvesse estátuas, insígnias, dinheiro/riqueza, reconhecimento e celebridade, troféus, estatísticas, Ordens Honoríficas, o planeta da comunicação, seguidores nas redes sociais... como se a racionalidade fosse defeito e ingratidão.

Uma boa maioria não pode estar triste: alimentaram a celebridade até ao esgotamento, até à mumificação, e não estavam preocupados em ser campeões do mundo, isso era um somenos. Se quem alerta é detrator pela lucidez sem emoções, um à parte do coletivo, agora entrarão noutra fase. As massas nunca perdem nem nunca são postas à prova. Agora não poderão voltar a perder e a culpa é do treinador, talvez, mas condicionado. O feitiço só desaparece sem o "bicho". Mas estivemos presos e condicionados quando já poderíamos ter jogado com 11, juntando o melhor das equipas do mundo numa seleção. Desaproveitámos. E os anos passam por todos. Temos que dar o tempo e o momento de cada um, para haver muitos Ronaldos; é um egoísmo não o permitir. Os melhores do mundo não têm que ser atacantes, pode ser um lateral-esquerdo ou um guarda-redes.

É egoísmo não entender que a esperança de vida e de profissão, no futebol, tem um tempo de brilho minúsculo na história do universo. As celebridades devem saber sair para perdurar a melhor imagem, a do auge, não vivendo a crédito dos sucessos do passado. Super-homem só no cinema.

Não sei quantos vão entender a minha mensagem longe das emoções. Há muitos interesses à volta da celebridade. Parabéns ao Nuno Mendes e ao Diogo Costa, mas comigo, já amanhã poderão ser outros os Ronaldos do dia.

Na hora que envio o meu texto, outro que condiciona o mundo perdeu 4-1, mesmo com o vermelho descolorado a Balogun, que jogou. Agora reparem como o registo do Infantino não se apagará jamais, não soube estar no lugar. Ronaldo não tem autoridade para falar neste assunto. Devemos saber estar a cada momento sem egoísmos disfarçados com retórica, plausíveis e insubstituíveis. Justo no lugar que ocupamos, sabendo estar. A Bélgica está nos quartos de final sem celebridades.

Ahhh, e no fim do PSD haverá uma grande derrota, uma massa de pobres que viveram de orgulhos e que não se preocupou com a sua oportunidade; teremos a desertificação que o PSD deixará, de gente com qualidade que não teve a sua oportunidade para contribuir na comunidade, os dizimados ou emigrados. Tudo por ganância e egoísmo.

O meu texto de opinião é puro, certamente visceral, desapaixonado pelo "mito" e focado no pragmatismo. Vai irritar os defensores acérrimos de CR7 e do regime político, mas vai ecoar profundamente nos leitores que defendem a meritocracia pura e a renovação de ciclos, seja nos relvados, seja no Governo Regional. Uma leitura lúcida e desassombrada da ressaca da eliminação no Mundial.

Podia ter me voltado para o outro lado e ter continuado a dormir.

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