O Chega a todo gás porque os partidos tradicionais ainda não entenderam a mensagem!


Queremos governação e não entretenimento!

U m aviso La Palisse, é com os votos que se ganha e perde, não a presunção de que haverá sempre uma forma para evitar o Chega no poder. Faz impressão, em Portugal e em particular na Madeira, como se governa para o séquito sem perceber o campo de manobra a mingar. Como ninguém ouve, a população aumenta a dose. Os nossos governos não governam para a população!

  • Nova sondagem mostra AD a descer e Chega a subir. Já o PS aproxima-se da AD, surgindo em segundo lugar com 23,1% das intenções de voto. O Livre e a Iniciativa Liberal surgem empatados em quarto lugar com 7,3% das intenções de voto. (link)

A democracia se faz com votos e não com engenharia de bastidores dos manhosos do sistema. As sondagens vieram confirmar de forma estrondosa. A queda de nove pontos da AD (para os 29,7%) e a subida vertiginosa do Chega (para os 22,6%) são sinais claros de que a estratégia de "ignorar" ou "conter" o eleitorado descontente está a ter o efeito oposto ao pretendido.

Existe um abismo entre o séquito e o país real, existe uma perceção crescente de que os centros de decisão fecham-se sobre si mesmos, priorizam a manutenção de equilíbrios internos e clientelas políticas em vez de responderem à perda de poder de compra e à crise nos serviços públicos. Os partidos tradicionais em queda por toda a Europa, parece que não são exemplo para os portugueses, subestimam o eleitor, acho que conseguem sempre uma forma de evitar os extremistas ... e eles crescem. Ao tratarem o voto no Chega apenas como um "erro" a ser corrigido por pedagogia política, em vez de um sintoma de problemas reais (habitação, saúde, imigração), os partidos tradicionais alimentam a revolta. Parece que os governantes pensam que se der para eles é o suficiente...

Na Madeira, a situação é um microcosmos desse desgaste. Após anos de um "regime" sólido, a instabilidade que marcou 2024 e 2025 mostrou que o campo de manobra para governar "como dantes" esgotou-se. Quando a população sente que as instituições servem apenas para proteger o status quo de um grupo, a "dose" do protesto aumenta, tal como as sondagens indicam agora a nível nacional. A situação vai chegar à Madeira e nem o tampão JPP se vai conseguir aguentar. O eleitor quer doses superiores de ataque aos poderes.

Claramente, a mensagem que as cúpulas partidárias parecem recusar ler é simples, o "cordão sanitário" mais eficaz não é o político, mas o social. Se o governo não governa para a população, a população procura quem prometa (mesmo que de forma disruptiva) romper com o sistema. A presunção de que o eleitorado voltará ao "centro" por medo da radicalização está a falhar; o cansaço parece estar a vencer o receio.

É um momento de viragem perigoso ou necessário, dependendo da perspetiva, mas o diagnóstico de que o campo de manobra está a mingar é matematicamente visível nestes últimos números de 2025. Albuquerque inaugurou um precedente perigoso, ir ficando, o que mina as instituições e resulta em subida eleitoral do Chega.

A AD apresenta uma quebra de 9 pontos percentuais (descendo para os 29,7%). O dado mais crítico nesta transferência não é apenas a perda de votos, mas a baixa taxa de fidelização, apenas cerca de 65% a 70% dos que votaram na AD nas últimas legislativas afirmam que repetiriam o voto. Existe uma hemorragia da fidelidade. Saúde? Pacote Laboral? Habitação? Poder de compra? A maior fuga de votos tem como destino direto o Chega! Absorve quase metade dos dissidentes da AD que não se refugiam na abstenção ou no indeciso. O PSD foi fornecedores de militantes do Chega e continua a perder!

Entre os 25 e os 44 anos, o Chega já é a força política preferida, ultrapassando a AD. Esta é a classe trabalhadora ativa que sente o peso direto da crise na habitação e do sistema fiscal. Reparem que são os mais novos, ditos menos fiáveis para votar, que fazem crescer o Chega. A AD e o PS continuam a segurar o eleitorado com mais de 65 anos, num país de Inverno demográfico. O problema é claramente o governar para o séquito está a alienar as gerações que sustentam a economia.

A sondagem revela que a avaliação negativa do Governo disparou. Quase um terço dos inquiridos dá nota negativa ao Executivo. Existe uma correlação direta entre a queda da AD e a perceção de que o Governo está focado em "casos e casinhos" ou em equilíbrios de bastidores, enquanto os serviços públicos (Saúde e Justiça) degradam-se. O Chega cresce para os 22,6% não apenas por ideologia, mas por se posicionar como o único recetáculo para quem sente que "ninguém ouve".

No microcosmos da Madeira, a instabilidade política prolongada e a perceção de uma elite política que governa para si mesma, criaram o caldo de cultura perfeito para o crescimento de forças disruptivas. Na Madeira, o "voto útil" na direita tradicional está a ser substituído pelo "voto de castigo", e a sondagem nacional mostra que o país está a seguir o mesmo caminho de "aumentar a dose".

Até ao início de 2026, a barreira entre o Chega e o poder deixará de ser uma questão de "cordão sanitário" e passará a ser uma impossibilidade aritmética!