Definitivamente, os povos têm os governantes que merecem.


Vamos lá outra vez à CMF.

O melhor que o CDS arranjou foi um rapaz já mais que conhecido pelos seus problemas com os copos, muito antes do vídeo que correu as redes em plena campanha, a fazer figuras tristes. Sempre bem ensogado e acompanhado do seu mestre e colega de copos, o maior tachista desta terra e chefe do seu partido.

Mal se sentou na cadeira, entrou logo no espírito do “agora mando eu”. Pequeno, deslumbrado com o poderzinho, com gosto por assediar as meninas dos serviços, acabou por, em tempo recorde, fazer asneira em público, que, diga-se, já vinha anunciada.

E o povo? Palmas. Louvores. Parabéns.

Porquê? Porque ficou no local. Porque confessou.

Ó gente… desde quando fazer o mínimo virou ato heróico?

A explicação é simples: quem o aplaude não se revê nisso. Se fossem eles, tinham-se posto ao fresco. Daí a admiração.

Nunca a fasquia esteve tão baixa.

A lua-de-mel do Carvalinho acabou depressa. Agora vai ser obrigado a mostrar o que é: um político mole, incapaz de tomar decisões à altura, sempre a querer passar entre as pingas da chuva e a ficar bem com Deus e com o diabo.

Não percebeu que este era o momento de cortar a direito, de repor a dignidade do seu partido e de se diferenciar (pela positiva) do atual líder, uma oportunidade de ganhos internos e de se afirmar como líder como poucas.

Preferiu arrastar isto tudo, com as previsíveis consequências futuras, só para continuar a sustentar o cancro da política regional, neste caso mais parecido com cirrose hepática.

E, entretanto, o artista abana o copo e fica no tacho.

Há momentos para endireitar o que nasce torto.

Este era um deles.

Perdeu-se.