Eu sei que nada sei. É por aí que começo. Sei que me chamam burro, ignorante, tonto. Aceito. Mas olho à volta e vejo algo pior: um povo inteiro preso ao medo, ao silêncio e à obediência.
N a Madeira trabalha-se muito. Trabalha-se até o corpo doer. Pescoço, costas, mãos gastas. E para quê? Para salários baixos e reformas miseráveis. Quem ganha? Os patrões. Vivem bem, passeiam, comem melhor, agradecem o esforço alheio e riem-se. O sistema funciona assim: poucos ganham muito, muitos aguentam tudo.
Isto não é acaso. É política. É economia. É um modelo que mistura democracia fraca com poder concentrado. Vota-se, mas escolhe-se sempre o mesmo. Fala-se de liberdade, mas governa-se pelo medo. Isto chama-se democracia doente, quase autoritária, onde o voto existe, mas a coragem não.
O medo manda. Medo de perder o emprego. Medo do patrão. Medo do líder. Medo de dizer a verdade. Por isso dá-se graxa, lambem-se botas, beijam-se cus. Fala-se mal pelas costas, mas na frente sorri-se. Quando chega a hora da verdade, foge-se.
O povo espera milagres. Espera um salvador. Espera que outros resolvam os seus problemas. Mas ninguém vem salvar ninguém. Isto é um facto simples. Na política, como na vida, quem não age, perde. Quem não decide, é decidido.
A economia atual recompensa a obediência cega e castiga o pensamento crítico. O trabalho duro sem direitos não cria riqueza, cria dependência. O discurso fácil mantém tudo igual. A propaganda distrai. A desinformação assusta. Há quem ainda acredite que o voto é vigiado. Isto não é ignorância inocente, é trauma coletivo.
Dizem que isto é normal. Não é. Democracia exige participação, confronto, responsabilidade. Exige mãos sujas e voz alta. Exige dizer não. Exige pensar.
Eu não sou escravo de ninguém. Ninguém manda em mim. Não sigo líderes por medo. Não trabalho para enriquecer outros enquanto me chamam sortudo. Procuro soluções simples, rápidas, eficazes. Isso não é preguiça. É inteligência.
Não acredito em mudanças feitas por cobardes. Não acredito em revoluções sem coragem. Não acredito num povo que prefere conforto falso à verdade dura. Enquanto o medo mandar, nada muda.
Ninguém te vai salvar. Ou assumes o controlo, ou aceitas viver pequeno. Isto não é insulto. É aviso. A história mostra: quem escolhe o silêncio, escolhe o fim.
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